sábado, 19 de março de 2011

«Amo-te...»

Amo-te, era o que eu sussurrava ao teu ouvido enquanto dormias abraçada a mim, esse teu corpo, embora pálido, estava quente, e foi a última coisa que eu vi e senti nessa noite em que dormi do teu lado. Quando acordei na manhã seguinte, tu tinhas partido e deixado uma carta em cima da minha mesa-de-cabeceira que dizia:

“Não te posso amar, porque tu vais amar-me mais do que eu sou capaz. O meu coração não é tão grande como o teu para transportar grandes quantidades de amor para uma pessoa só.

Perdoa-me.”

Na carta estava a marca dos teus lábios, através do batom vermelho que sempre usavas, tinha ainda o teu habitual perfume. Trouxe-me lembranças de um ano de namoro, um ano de felicidade intensa e que agora que já não estás, foi um ano que se afeiçoou como se uma estaca me tivesse trespassado o coração.

Sentia o meu corpo a cair, a cair…

Mais tarde quando acordei, não conseguia ver o meu Mundo, mas conseguia ainda sentir o cheiro do perfume e a carta que ainda estava presa à minha mão. Passaram-se então dois anos, que eu já não via o Mundo, mas continuava a ver os nossos momentos, logo escrevi uma carta para ti, na minha memória:

“Passou-se dois anos Soraia e eu já não sinto o teu corpo, o teu perfume, os teus lábios. Porque hoje continuo igual ao que era, continuo a ver como via e a sentir como sentia, com o Coração.

Eu perdoo-te, tal como quando eu dizia «Amo-te do fundo do coração». “

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