sábado, 14 de janeiro de 2012

Rosto

Fito-te no sossego do teu sono a sensatez do rosto que te pertence. Não resisto em passar a minha mão no teu rosto para ver um pequeno sorriso na tua cara. Sentes a minha presença do teu lado, pois não sou capaz de largar-te como já fiz a outras no passado.
Estou certo, aliás convicto, de que tens o meu coração na tua posse e cada vez tenho mais essa noção, pois fui incapaz de conquistar-te com frases feitas devido a outros te magoarem com elas de maneira estúpida, então atrevi-me a ser mais do que a minha própria pessoa, do que este ser composto por pensamentos filosóficos e ciências de me tirar o sono, atrevi-me a conquistar-te com gestos decididos, com sentimentos à tona da minha pele.
Os meus olhos nunca viram algo tão belo diante de si, não que as outras não tenham sido belas, perfeitas como foram, tu és com toda a certeza a mulher que mais me desafia em termos de desejo, intelectualidade e amor.
Imagino-me, sentado no descampado com uma manta sobre mim, observando do topo desta Estrela a estrela que tu és durante a tua passagem no manto negro do tecto do Mundo. Tu podias ter milhões de razões para seres feliz mas neste momento só tens uma: Eu e eu agradeço-te por isso.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Algo que não eu

Falta pouco, pouco tempo para plantar mais uma árvore neste terreno infértil que, embora traga um génio de imaginação, não reproduz o feitio que compõem o Mundo e ao que me parece esta será a árvore número 7308, apesar de a trezentos e sete ir meio da sua vida. Com certeza, farei os meus vinte anos e não posso dizer que sejam ricos, pois nem sempre escrevi, mesmo a caneta pesando uns dez anos arrítmicos de escrita, posso afirmar que estou certo disto:
“Escrevo eu e não outro, pois outra vida não me é devida, não sou escultor e por não sê-lo é que me sinto bem, não tenho capacidade de carregar uma lasca de alguém que não eu. O seu peso poderia afectar a minha coluna e não sinto vontade de carregar a dor de outro com a consequência de ganhar uma hérnia do que não assisti, do que não experimentei.
Certo, convencido ou fútil, com firmeza provo deste meu veneno dizendo:
Escrever envenena-me a água do meu dia-a-dia, esse percorre-me no sangue e um dia acabará por me matar. Matarei a mim mesmo, sem ter dó do que sou ou serei ou àquilo a que estou destinado."

                Escrevo algo que não eu, escrevo eu mesmo o meu «eu» escritor.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O beijo

Questiono o beijo sem procurar razões físicas ou as hormonas que o convocam. Procuro nas sílabas, nos adjectivos, acentos, vírgulas e pontos, respostas à questão entretanto submeto os meus lábios aos teus, com um respirar lento, com um deslizar suave e calma pacífica como quando oiço os pássaros pela manhã, a preguiça a acordar no corpo para que fique na cama ou então a leitura de um poema em silêncio.
“O beijo é uma rua onde passam vários, milhões, biliões de estranhos a cada segundo, em toda a parte do Mundo. Uns beijam com um respirar fugaz em determinados momentos, uns de forma a surpreender toda gente, uns com os lábios molhados e açucarados, uns com um pouco de pimenta na língua, uns sem fechar os olhos, uns como num romance e uns beijam pela primeira vez, o resto sente saudade de passear por esta rua. Saudades que eu tenho de dar um beijo apaixonado, compreendido e perfeitamente ligado.”
Um beijo é tudo isto e mais algo que não me recordo mas que também não me esqueço e quando não o é, não será certamente um vazio, uma carência ou um desejo, é um esperar por um sentimento maior.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Dois mil e onze

Hoje, dia um de Janeiro de dois mil e doze é certamente o começo do desconhecido, mas hoje vou recordar e fazer um diagnóstico do ano que acabou de passar, recordá-lo-ei mais que todos os outros que por mim passaram desde, talvez, do meu nascimento.
Revivo o atribulado inicio de dois mil e onze, talvez o tenha sido por ignorância minha ou falecimento mental nesse período, não sei ao certo, mas tenho a certeza de a culpa pesará um dia no meu caixão, pois eu repugno a ideia por completo de que tenha de envelhecer, ficar velho é demonstrar um aumento de apatia, de um fechar de portas aos sentimentos e abrir os sentidos aos vícios. Talvez seja uma das razões para eu odiar não ser correspondido, não evitar o despejo de gozos alheios de quem se confia, bem as pessoas não sequer devem mudar pelos seus companheiros, mas sim adaptarem-se aos mesmos. Espero que o Santo António me pregue um sermão, porque bem exijo.
Não me sinto arrependido mesmo tendo essa sensação algures na rocha do meu peito. Pensando bem, eu poderia ter feito as coisas de maneira diferente, talvez se eu nada tivesse feito e tivesse sido ao contrário? Ao certo e conhecendo-me minimamente, manter-me-ia calado, no lar da doce ignorância. Se existisse máquina do tempo para voltar atrás e recompor as coisas, tenho certeza absoluta de que não o faria, pois é isto de que se trata o instinto humano de aprender com os erros e não se chatear com o resto.
Correctamente, posso afirmar que somos seres individuais de complexidade dinâmica, com isto pretendo dizer, não conseguimos viver sem os outros e ao mesmo tempo não conseguimos viver com os mesmos, por isso as pessoas continuam a martelar sobre os mesmos assuntos o resto do ano. Com virtude tenho a dizer que nunca mais me chateei sobre o que tenha acontecido e não tenho o direito de o fazer. A vida sabe tão bem lá fora e existe tanta gente para conhecer, para me desiludir e vice-versa, isto não é feito por mal, a ninguém, a não ser propositadamente, contudo é uma maneira de viver que acontece aos que não tem propósito, ou seja, inconscientemente e com um fervor visionado numa lágrima no futuro.
O tempo foi passando e entre o inicio e o fim, foi uma pressão constante de aulas e aprendi algo novo, infelizmente, assimilei que a existência de professores menos profissionais levam o ambiente dentro de uma sala ao ridículo, a carência por filhos e desavença por enteados é aguda e é algo de grave, pois somos todos iguais, isto também conta para o Mundo. Estipulam-se regras, logo fazem-se as cumprir.
Por meio desta metade, aconteceram leves batimentos cardíacos correspondidos por fortes impulsos, mas embora não tenha sido correspondido pelas pessoas a quem disse de que as gostava, embora tenha sido tudo em longos espaços de tempo, tenho a dizer o quanto é bom sentir que se gosta de alguém, gostar das pessoas pelas peculiaridades que estas contêm. Cada uma é especial à sua maneira. Isso é bom.
No fim de contas, neste fim de ano retenho a p*t* de necessidade de apanhar uma bebedeira, cair não numa ressaca ou num coma profundo, mas sim num sono de várias semanas, pois bem, preciso de pensar, reflectir sem sentir essa ténue linha de sentimentos gigantes e descontrair a vida acompanhado.
Desta forma, desejo a todas as pessoas que passaram e que ficaram na minha vida, um feliz ano novo, uma vida nova e melhor do que a passada, que amem e dêem-se a amar, que errem e que aprendam. Não se esqueçam de deixarem o ódio indo desaparecendo ao longo do ano, ao longo da vida, é um dos maiores fardos que alguém pode carregar e ninguém o merece.
Com especial atenção de que não devem mudar por ninguém, por muito mais que amem essa pessoa em causa e não se deixarem levar por momentos de apatia, falsidade, pois esses fazem-nos perder muito tempo a pensar.
A vida merece ser vivida e não reflectida. Fica aqui feito o meu diagnóstico de 2011 e que agora o meu coração saia pela rua, que os meus pulmões respirem, saltem e sufoquem num mergulho no oceano. Que conheça muita mais gente, que seja iludido, que ganhe desilusões, que seja incoerente ou coerente, certo ou errado, magnífico ou falso.
«Eu quero viver sem me perguntar porquê.»
Feliz Ano de 2012 a todos.
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                P.S: Este ano soube o que era ser falso e só me posso lamentar por o ter sido com uma pessoa que amei mesmo antes de a desejar que fosse minha namorada. No fundo foi melhor assim.
                Obrigado por tudo e peço desculpa por tudo, porém sem arrependimento.