Falta pouco, pouco tempo para plantar mais uma árvore neste terreno infértil que, embora traga um génio de imaginação, não reproduz o feitio que compõem o Mundo e ao que me parece esta será a árvore número 7308, apesar de a trezentos e sete ir meio da sua vida. Com certeza, farei os meus vinte anos e não posso dizer que sejam ricos, pois nem sempre escrevi, mesmo a caneta pesando uns dez anos arrítmicos de escrita, posso afirmar que estou certo disto:
“Escrevo eu e não outro, pois outra vida não me é devida, não sou escultor e por não sê-lo é que me sinto bem, não tenho capacidade de carregar uma lasca de alguém que não eu. O seu peso poderia afectar a minha coluna e não sinto vontade de carregar a dor de outro com a consequência de ganhar uma hérnia do que não assisti, do que não experimentei.
Certo, convencido ou fútil, com firmeza provo deste meu veneno dizendo:
Escrever envenena-me a água do meu dia-a-dia, esse percorre-me no sangue e um dia acabará por me matar. Matarei a mim mesmo, sem ter dó do que sou ou serei ou àquilo a que estou destinado."
Escrevo algo que não eu, escrevo eu mesmo o meu «eu» escritor.
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