quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Ano Novo
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Hoje
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Tudo isto
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Ementa
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Correspondência
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Bela arte
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
"De pequenino se torce o pepino"
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Português
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Sons
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
dis/sabores
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
"Laus Deo"
Cansaço
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Razão vs Coração
domingo, 17 de julho de 2011
Ladrão
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Chove
Chove, chove sem parêntesis, chove entre aspas uma acidez que à muito se acumulou neste céu. Gota a gota, escorre lentamente nesta enorme nuvem, seguidamente cai e corrói a bancada, mas não o suficiente para a corroer de todo.
Pouco a pouco, vejo a formar-se um rio ao longo da mesma, capaz de reflectir a tal nuvem, as tais gotas, estas que lhe foram um sacrifício suster. Não quis e até fez de tudo, mas talvez já devia ter chovido há mais tempo, quiçá tivesse livrado da dor.
Tanta gota, tanta acidez que não pára de cair, e de certeza que rio vai galgar as margens. Galga, salta por ali a fora e começa a escorrer até ao chão, mas vejo a soltar-se através de um minúsculo fragmento de luz que atravessa a água que agora cai desta enorme cascata, dá-se o reflexo, forma-se o arco-íris.
Ele limpa-lhe a sua nuvem, revela-lhe um sorriso e aclara o seu céu.
«Chorar, cerrar os olhos, acordar e transformar a noite num belo dia.»
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Esferas de Papel
Cinzentos, frios, mortos, meio cegos, frágeis meras esferas de papel por onde já não escorre tinta e as palavras que se podem ler nelas, vivem dias de solidão! Até parece pecado existir um Ser amaldiçoado. Agora, só existe a Lua sobre o horizonte que se encolhe sobre o mar, tristeza.
O que o Mundo era, o que o Mundo se tornou e eu pouco posso ver o futuro deste, levanto-me da fria areia, tiro a roupa e caminho até à água glacial, nunca senti tanto frio em toda a minha vida, nu contínuo e não desisto em querer morrer com ele.
Durante a minha vida tive a sorte de correr todo o Mundo, conhecer locais que ninguém imagina, mas não conheci nenhum lugar nele como este, é frio, é pálido, a luz só dura metade do ano, tal como a minha força e a outra metade é um descanso.
Sinto-o a parar aos poucos enquanto entro na água, não paro e nado até não ter pé… Penso que aqui deve chegar, olho para cima, vejo a vida a passar diante das minhas esferas de papel, e sinto aquele cheiro da maldição que me pregaram, da podre imortalidade que já há muito parou o meu coração.
Só não parou os cinzentos, frios, mortos, meio cegos olhos, lembranças, memórias de uma vida amaldiçoada sem perdão a viver num Mundo há muito extinto. Amanhã é a outra metade do ano em que vou voltar a viver outra vez, porque tenho força, calor, luz e até tinta para voltar a escrever, vou vestir-me e partir para outro lado.
Viver é um dia de cada vez, amaldiçoado ou não, só se vive uma vez.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Jardim
Ela não me proibiu de entrar no seu jardim, proibiu-me sim de a querer encantar com rosas, com bombons, com poemas, com cartas de amor, com toda a magia de um romancista. Ela não acreditava em cavaleiros andantes, príncipes encantados. Não acreditava em mim, no meu ser quando eu lhe dizia: “Quero ficar contigo “.
Agora chora de saudade, saudade de não me ter, saudade de me ter proibido, mas sou eu que me sinto cansado em escrever-lhe cartas, poemas e enviar-lhe rosas todos dias, perdi-me neste labirinto do meu coração, neste jardim sem saída, neste amor proibido.
Eu fiquei contigo mesmo quando não querias encantos, mas nunca pensei que chorasses de saudade e eu, eu nunca pensei em perder-me algures na tua terra do nunca.
sábado, 14 de maio de 2011
Vendedor de Esperança
«Atravesso esta areia que me queima, que me queima os meus pés nus, pouca a roupa que tenho e este Sol arde e rompe-me a pele com os seus raios. Meu burro, o meu animal de estimação que carrega a minha água para eu vender, e gastar o dinheiro para podermos comer e sobreviver. Alguém que me castigue, porque ele merecia uma vida melhor, tal como eu. Maldita seja a guerra na minha terra de ninguém.
Agora, cai a noite como se tratasse de um nevão e o frio que vem com ele passa pela minha tenda, aperta-me o pescoço, sufocando-me até não poder mais. Eu, eu vivo neste Deserto, agora ocupado pela guerra, pela miséria, pela pobreza mais pobre de todos os meus dezoito anos e é a isto que chamam lutar pela independência, lutar pela liberdade? Que ignorância a minha pelo tão pouco que sei, aliás como posso saber? Não há escolas por aqui…»
Isto escrito por Mohamed Salem Ali, e agora vejo este rapaz pela minha lente, neste deserto onde o ser mais frágil encontra-se mesmo à minha frente, tiro uma foto e vejo, vejo uma estrela por detrás dele que carrega uma intensa luz, uma luz de esperança e talvez seja isso que ele venda, uma água com esperança de que um dia a guerra acabe.
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Texto relacionado com a 4ª foto da coluna da esquerda
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Barco
Encontro-me à deriva no papel, baloiçando para os lados, atracado na minha casa à espera de partir, à espera de um lugar onde o destino me possa levar. Grito e libertam-se as amarras que me prendem.
Agora, vou por este papel, baloiçante e molhado, mas vou devagar para poder contemplar o que me rodeia. À direita tenho fábricas, rochas numa colina verde, mas incapaz de mudar uma paisagem alterada pelo Homem, pobre é agora o verde que não me deixa ver o seu esplendor, há alguns anos eu admirava-o, agora mal o vejo, cegado pela poluição.
À esquerda o meu destino, longe está ele, mas a ele vejo-o quase na perfeição, um cheiro de liberdade por poder andar durante mais algum tempo por este rio. À minha frente, vejo outros iguais a mim no estaleiro, uns a serem reparados por causa das más atitudes que tiveram ou erros que cometeram, e outros vejo-os a passarem por mim com olhos de quem não vê, infelizmente.
Para trás, observo o rasto do meu óleo e o meu porto, casa que mais tarde terei de voltar e ficar preso por ter ordens a cumprir. Mas certamente que trinta minutos de liberdade compensam uma meia-vida atracado e sem rumo.
sábado, 30 de abril de 2011
O melhor prato chama-se...
Há uns dias dei por mim a pensar no que faz mais falta ao Mundo e estive uma semana à volta disto, talvez tenha sido esta era a causa de não conseguir dormir nas últimas noites, mas eu acabei por encontrar o que fazia mais falta ao Mundo, às pessoas. Não era o dinheiro, não era o comer, era sim algo que se denominava de «Motivação».
Este era o denominador comum em todas as fórmulas matemáticas, em todo tipo de escrita, em todo tipo de desporto, em todo o Universo, em todos os teus objectivos, sonhos e em tudo o que tu fazes na Vida.
Muita gente, mas mesmo muita gente, tem falta de «Motivação» e isso faz com que desistam dos seus objectivos, dos seus sonhos e tenham medo, muito medo de viver e enfrentar a vida, como tal acomodam-se e tornam-se parasitas no Mundo.
Eu já fui um, mas foi ai que eu decidi vestir a farda de Chef e cozinhar para mim mesmo, refiz a receita do melhor prato do mundo e transformei-o em palavras, em vozes, em energia, em fé e alimentei a minha mente com isso. A quantidade de nutrientes que este prato podia fornecer era surreal, nem a própria ciência conseguia explicar tal facto, mas fazia-me mover Universos.
Chamei-lhe de «Motivação Universal» e a partir desse dia passei a comer a todas as refeições este prato, porque quando bem passado é capaz de elevar a capacidade de alguém que passou meia vida a dizer: «Eu não consigo, eu não sou capaz e a culpa é de todos os outros por eu não estar onde quero.», a dizer: «Eu consigo, eu sou capaz e não vou apontar os dedos aos outros, vou ser melhor a cada dia que passa.».
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Podes não ter telhado, podes não ter o que comer, podes não conseguir vingar no amor, podes ter uma vida de miséria, podes ter problemas familiares, podes ter uma doença grave, mas se há algo que não podes é desistir, porque se acreditares em ti, desejares ser melhor a cada dia que passa, trabalhares e teres paciência, mas muita paciência, conseguirás vencer qualquer tipo de problemas, conseguirás vencer até a doença mais grave no Planeta, conseguirás ser alguém, conseguirás ter a Vida como sempre sonhaste.
«O que a mente consegue conceber e acreditar, consegue conquistar.»
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O papel deixou-te uma mensagem
Se há algum espelho que reflecte melhor o meu ser e ao seu pormenor, esse espelho é o meu papel. Reflecte sonhos, pesadelos, amores, ódios, sorrisos, lágrimas, erros, passados, presentes e futuros.
Quando sonho alto, quando amo, quando sorrio seja no antes, no agora ou no depois, o papel aparece decorado ao máximo por uma textura viva e cheia de cores quentes. Mas depois o pior acontece, dou um erro por mais mil coisas certas que tenha feito, passo a ser o mau da fita e então vêm os pesadelos, os ódios, as lágrimas e mais erros.
Passo então a ter um papel rasgado, com sangue, com dor, cheio de cores mortas e eu afasto-me, afasto-me de tudo, mas por detrás estou a matar-me para tentar melhorar, para ser mais e melhor, para não errar outra vez no que já errei.
Lá volta o papel a ganhar vida e começa a florescer a cada segundo: ideias, pensamentos, sonhos e objectivos de vida bem traçados. Mas depois passa alguém por cima do papel, pisa-o com toda a força, deixa cair uma beata e transforma-lo em chamas, só que não pensaram que ao rebaixarem a sua maneira de ser e ao queimá-lo ele fez-se em cinzas.
Renasceu como se tratasse de uma Fénix, o papel ardia sem cessar com uma chama de tons azuis, amarelos e vermelhos. Senti que essa chama era o reflexo da minha força de vontade, toquei-lhe com as mãos por mera curiosidade e deixou o papel para passar a arder nas minhas veias, no meu corpo, na minha mente e na minha alma.
A chama começou a fazer com que eu me empenhasse mais, me dedicasse de corpo e alma aos meus sonhos, mas principalmente a viver a vida e aceita-la como ela é. Por mais baixo que me sinta, vou-me levantar porque amanhã é um novo dia. Por mais que erre, vou aprender a não errar porque amanhã é um novo dia. Por mais que caía, vou-me levantar porque amanhã é um novo dia. Por mais difícil que a vida seja, vou-me levantar porque o dia de amanhã só é vivido, sentido apenas por mim e mais ninguém.
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O papel deixou-te uma mensagem:
“Sonha e serás livre, luta e viverás a vida com que sempre sonhaste. A vida apenas depende de ti."
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Estrela
Vejo a Lua a desabar-se no horizonte e as estrelas a caírem na minha Terra. A noite está triste e ela chora, chora e chora. Perdeu todo o seu brilho, todo seu mistério. Agora não passa de um simples pano preto pregado a um tecto imaginário. Já não havia estrelas no céu - pensava eu. Mas num ínfimo segundo os meus olhos ficaram cegos por uma luz branca, que me caiu nos braços e arrastou-me largos metros pelo chão.
Quando dei por mim já era de dia, o Sol brilhava com toda a alegria, o seu calor enchia-me o corpo de energia, aquecia-me a alma e, o que quer que me tivesse atingido, deixou-me a marca de uma Estrela no peito. Não me lembrava de nada da noite anterior, mas esperei pela próxima e passei todas as outras a contemplar o seu maravilhoso céu.
Não tinha razões para o fazer mas algo me atraía: não era a sua beleza, a sua misteriosidade ou o seu brilho. Era algo que me tinha tocado no meu coração, porque de dia ele não batia, mas à noite eram batidas de um coração apaixonado, batidas ofegantes, batidas poéticas.
Mais tarde, houve uma noite que decidi passá-la na varanda, cheguei até adormecer e senti os teus lábios a tocarem nos meus, a tua mão a passar no meu rosto e o teu rosto a pousar-se no meu peito. Quando acordei já tinhas partido e eu já não tinha uma Estrela no peito, mas sim no Coração.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
«A…»
A. -Eu amo-te sabes?
M. -Eu também te amo.
A. -Então posso gritar ao Mundo que eu «Amo-te»?
M. -Não, nem te atrevas!
A. -Porquê?
M. -Porque não gosto.
A. -Vou gritar à mesma. «A…».
A. - Hmm, Hmm. «Tira-me a mão da boca».
M. - Promete-me que não gritas, prometes?
A. - Hmm, Hmm. «Sim».
A. - Está melhor assim.
A. - Posso então gritar baixinho para ti?
M. - Podes.
A. - Amo-te.
M. - E eu a ti meu amor.
A. - Ainda bem que me impediste de gritar ao Mundo que eu te amava, porque eu já o demonstro todos dias e isso diz tudo.
M. - Obrigada. (Sussurra-me ao ouvido)
"Não interessa o número de vezes que o dizemos, mas sim a forma como o dizemos e como o demonstramos."
sexta-feira, 25 de março de 2011
Memória
Eu não sou teu. Tu não és minha, mas o que temos será só nosso. Será nosso para sempre, será nosso mesmo que tenhamos outra pessoa, será nosso enquanto aqui estivermos e será assim só nosso e nunca igual. Porque é ao ser diferente que se cativa, se solta um sorriso, uma lágrima, um batimento cardíaco.
É nosso, o beijo e esse nosso cantinho. É nosso, o fervente desejo e esse nosso sonho. É nosso, o momento e esse nosso coração. É nosso, o sentimento e essa nossa traição. É nosso, a chama e esse nosso calor. É nosso, mas só nosso o que ambos temos e temos muito, mas muito amor.
Agora no presente, o que é nosso e só nosso, é o que resta na nossa memória.
domingo, 20 de março de 2011
Ouve-o...
Ouve-o a bater.
A cada segundo, a cada momento,
A cada olhar, a cada suspiro,
A cada beijo, a cada arrependimento,
A cada noite, a cada…
Ouve-o a bater.
A cada toque, a cada rascunho,
A cada poema, a cada vontade,
A cada paragem, a cada saudade,
A cada lágrima, a cada…
Ouve-o a bater.
A cada segundo, a cada momento,
Sou cada vez mais teu.
sábado, 19 de março de 2011
Ser poeta é ser…
“ Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens!” – Florbela Espanca
Ser poeta é ser…
Ser poeta é ser um livro por escrever, é ser o mais puro sentimento
Que o Homem não consegue encontrar! É viver!
É ser único e mesmo assim ter o defeito
De amar com todo o prazer!
É ser o ser incompreendido
No meio da compreensão,
É ser um amor conquistado
Pelo coração.
E ser poeta é saber sonhar neste mundo,
É saber amar perdidamente
Contigo do meu lado.
«Amo-te...»
Amo-te, era o que eu sussurrava ao teu ouvido enquanto dormias abraçada a mim, esse teu corpo, embora pálido, estava quente, e foi a última coisa que eu vi e senti nessa noite em que dormi do teu lado. Quando acordei na manhã seguinte, tu tinhas partido e deixado uma carta em cima da minha mesa-de-cabeceira que dizia:
“Não te posso amar, porque tu vais amar-me mais do que eu sou capaz. O meu coração não é tão grande como o teu para transportar grandes quantidades de amor para uma pessoa só.
Perdoa-me.”
Na carta estava a marca dos teus lábios, através do batom vermelho que sempre usavas, tinha ainda o teu habitual perfume. Trouxe-me lembranças de um ano de namoro, um ano de felicidade intensa e que agora que já não estás, foi um ano que se afeiçoou como se uma estaca me tivesse trespassado o coração.
Sentia o meu corpo a cair, a cair…
Mais tarde quando acordei, não conseguia ver o meu Mundo, mas conseguia ainda sentir o cheiro do perfume e a carta que ainda estava presa à minha mão. Passaram-se então dois anos, que eu já não via o Mundo, mas continuava a ver os nossos momentos, logo escrevi uma carta para ti, na minha memória:
“Passou-se dois anos Soraia e eu já não sinto o teu corpo, o teu perfume, os teus lábios. Porque hoje continuo igual ao que era, continuo a ver como via e a sentir como sentia, com o Coração.
Eu perdoo-te, tal como quando eu dizia «Amo-te do fundo do coração». “
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
São as coisas mais simples que me fascinam...
É o vento quando passa no meu rosto ou o seu som que ecoa nos ouvidos, é o mar que me chama quando estou na praia e, refresca o meu corpo e a minha mente. É o sol que aquece o meu pensar, a minha alma. É um abrir e fechar de olhos, embora curto sobre a vida. É ver uma pequena joaninha a andar sobre um tronco de madeira, lentamente, mas vivamente. Ouvir o latido da minha cadela à varanda, um chamamento de atenção.
É o cair do pano da noite, do brilho do céu estrelado e daquelas nuvens vermelhas que lá estão. É aquele frio nocturno à beira rio, por qual caminho de vez em quando. É o meu deitar sobre a cama e o acordar no dia a seguir, que me faz mover para poder contemplar a Natureza de tudo o que me rodeia e da simplicidade que a embeleza.