Chove, chove sem parêntesis, chove entre aspas uma acidez que à muito se acumulou neste céu. Gota a gota, escorre lentamente nesta enorme nuvem, seguidamente cai e corrói a bancada, mas não o suficiente para a corroer de todo.
Pouco a pouco, vejo a formar-se um rio ao longo da mesma, capaz de reflectir a tal nuvem, as tais gotas, estas que lhe foram um sacrifício suster. Não quis e até fez de tudo, mas talvez já devia ter chovido há mais tempo, quiçá tivesse livrado da dor.
Tanta gota, tanta acidez que não pára de cair, e de certeza que rio vai galgar as margens. Galga, salta por ali a fora e começa a escorrer até ao chão, mas vejo a soltar-se através de um minúsculo fragmento de luz que atravessa a água que agora cai desta enorme cascata, dá-se o reflexo, forma-se o arco-íris.
Ele limpa-lhe a sua nuvem, revela-lhe um sorriso e aclara o seu céu.
«Chorar, cerrar os olhos, acordar e transformar a noite num belo dia.»
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