sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Mundo está a verter...

O mundo está a verter, não água, mas sangue. Tudo começou através de um jovem rapaz que se sentia desesperado para encontrar o amor, algo que o marcasse para sempre. Só que este não captava atenção de nenhuma rapariga.

Um dia ele pediu algo ao Diabo, um dom para escrever três formas de amor, desde amor carnal, sexual e virgem, tudo em troca da sua alma. O Diabo aceitou tal troca e ofereceu-lhe tal dom. O mal foi esse, o pior mal de todos, um mal para o qual o mundo não estava preparado. Porque eram poucos no mundo que sabiam e tinham aprendido o verdadeiro significado de amar alguém.

Miguel, é como se chamava o jovem rapaz, escreveu então uma carta ao mundo, a mais curta carta de sempre. Só tinha uma frase, que era tão clara como se fosse um ser superior a todos os terrestres a falar. Onde dizia: “hoje, amanhã e para o resto das vossas vidas vão amar alguém especial. Dar-vos-ei três formas de amor, o carnal, o sexual e o virgem”. Assim foi.

Maior parte escolheu o amor carnal e sexual, eram dois tipos de amores que transparecia qualquer barreira do “amor”, logo não era amor. Poucos escolheram o amor virgem. Até o próprio Diabo que quando ouviu a carta nas noticias, apaixonou-se por uma medusa que o cegou de amor.

A partir desse dia o mundo verteu sangue, porque nem todos sabiam amar e como sentença máxima as suas almas eram aprisionadas no reino dos infiéis, um reino fora dos três reinos que existiam (Inferno, Terra e Paraíso/Céu).

Os últimos que tinham optado por um amor Virgem, o amor dos Deus, um amor sem pecados traições e com pouca dor. Porque nada é perfeito, nem mesmo os Deuses, era um amor verdadeiro e rebelde.

Dai adiante Miguel, tornou-se um cúpido e salvador da humanidade. Um verdadeiro anjo, que não usava setas, mas sim cartas para encaminhar as pessoas no caminho certo e curar todos os males que lhe tinham causado ao seu coração, que agora estava a parar de sangrar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Desconhecida

Vou escrever numa folha com frente branca e verso preto. Na parte branca escreverei com tinta preta os meus mais obscuros segredos e no verso preto, escreverei a vermelho os meus sete pecados.

No fim de escrever tudo, virei a face branca para ficar lado a lado com a face preta. Deito ambas as folhas no chão e levanto-me, começo a ver um rosto. Rasgo mais e mais, até ficarem pequeniníssimos e afasto-os um do outro.

Levanto-me mais uma vez e olho para as folhas de papel, que lindas ficaram. Era o teu rosto pálido, o teu cabelo escuro e os teus lábios vermelhos. Eras o meu maior segredo, o segredo que não queria perder da minha memória, e, eras o meu maior e mais forte pecado, porque por ti senti um amor inquietante.

Foste uma desconhecida que me conquistou, mas há muito que partiste e eu por aqui fiquei, entregue a mundo que não conheço.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

As razões...os sentimentos...

"As razões não são estúpidas, os sentimentos é que nos tornam estúpidos!" -
Filipe Graça

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Louco

Dou comigo horas a fio a pensar em escrever algo, enquanto me surgem frases aleatórias na minha cabeça, enviadas de não sei de onde, por não sei quem, que chegam aqui e dão-me uma ideia clara do que quero escrever. Às vezes penso que sou mentalmente doente, porque não consigo obter um equilíbrio claro entre a emoção e a razão, há dias que tenho que ser mais lógico e noutros mais emotivo, mas não há um sem o outro. Tenho que ser muito de um e pouco de outro, vice-versa.

Gostava de conseguir um equilíbrio entre ambos. Como não consigo, encontro-me assim sem saber o que escrever ao certo, apesar de estar claro na minha cabeça, mas que vou escrever, vou sem mínima dúvida. Agora sobre o quê e porquê? Não sei bem. Mas vou parar para pensar em algo que seja delicado e tenha uma amargura louca de um certo sentimento. [21:52]

Sou um louco que perpétua nas masmorras das suas memórias, preso por algemas que me seguram as mãos e os pés à parede. Estou preso e daqui não consigo sair. Deixaram aqui umas cobras, umas aranhas, uns escorpiões para me envenenarem o corpo, a alma, o coração.

Já aqui estou há cerca de dezoito mil anos, onde não vejo a luz do dia, onde só vejo sombras do passado e por causa delas, sofro na pele por tudo o que lutei e trabalhei. Sou um fraco e um demente, que já não sabe dar sentido à ignorância de um mundo que já não oiço, que já não vejo. Mas que ainda me ouve.

Ouvem-me tanto, mas tanto que até aposto que estão fartos de me ouvir. Os meus gemidos de dor, os meus gritos de insanidade, os meus choros por causa de tal tortura. Mas ainda vivo e perguntam como é possível. Nem eu sabia, mas bem…

Isto era eu. Agora quem eu sou? Morri três mil anos depois e de que isso me valeu? Nada, mas ao Mundo, oh ao Mundo! Valeu-lhes de tudo. Valeu-lhes não ouvir com os ouvidos, não a ver com os olhos, não a falar com os lábios, com a língua, não a sentir com as mãos ou com os membros do corpo. A minha morte valeu-lhes uma compreensão sobre o que não se vê, o que não se ouve, não se fala e não se sente com as mãos, com os pés. Somente com o coração.

Hoje sinto-me livre, mas continuo um louco. Louco por me darem razão, por me darem emoção, por me darem uma oportunidade de viver a vida, por me mostrarem um mundo e os seus mais diferentes mundos e formas de viver. Louco, mas tão louco para procurar uma felicidade que está tão fora do meu alcance, tão como certos cometas que passam de cem em cem anos ou de mil em mil anos.

Quando talvez a tiver na mão, uma possibilidade em mil. Vou libertar para outra pessoa ser feliz, porque sou louco, mas não sou invejoso.

O que pensam da vida?

Um dos meus melhores amigos pôs no seu facebook, uma questão sobre o que as pessoas pensariam da vida, no caso de alguém fizesse essa questão tal como ele fez.

À qual eu respondi que nada penso, porque realmente estou aqui para vivê-la. Mas na verdade, todos nós reflectimos sobre a vida, porque somos felizes nela e sofremos nela, construímos sonhos e até os mesmos destruímos. Porquê? Talvez encontremos outro rumo que nos dê aquilo que verdadeiramente queremos, que seja mais fácil ou mais difícil de lutar consoante a consciência e hipóteses de cada um.

Não sei, é uma pergunta que tem inúmeras respostas para uma só pessoa. Agora imaginem esta a chegar a mil milhões de pessoas. Contudo e como não existe uma resposta certa sobre o que penso da vida, vou limitar-me a vivê-la e no dia que morrer, terei todo o tempo do mundo para pensar sobre ela.

Passo a palavra:

“Leandro Rodrigues

Se vos pusessem esta pergunta à frente o que respondiam: "O que pensam da vida?" “

sábado, 25 de dezembro de 2010

Palavras...

Sempre ouvi dizer que “palavras são palavras e não provam nada”, mas o que é uma palavra? É um vocábulo, um termo, um procedimento. O que é um procedimento? É um modo de actuar, um comportamento, um processo. Esse modo de actuar, leva à acção e se existe acção por parte de algo ou alguém, é porque houve um reflexo de pensamento. Reflectir sobre o que quer que seja, exige uma construção elaborada de um plano e esse plano exige o quê? Palavras.

Logo é absurdo dizer que as palavras não provam nada, elas provam mais do que imaginamos quando as sabemos ler e hoje em dia são só alguns que sabem ler entre as entrelinhas. Às vezes não tenho vocabulário suficiente para dizer o que lá está entre essas linhas, até porque tenho dificuldades de me expressar verbalmente. Sim, porque as palavras são usadas num acto de fala também.

Volto a repetir que, as palavras provam mais do que imaginamos. São elas que nos induzem ou não à compreensão de um erro, são elas que nos servem de consolo quando mais precisamos, são elas que nos magoam, são elas na publicidade que nos incentivam à compra de algum produto ou a ajudar alguém.

Se na vida encontramos mil e um problemas, também podemos encontrar mil e uma soluções, mesmo que uma só chegue para resolução desses problemas, e todos eles começam com palavras, depois seguem diferentes vias: a da Matemática, da Filosofia, da Química, da Biologia, da História, da Geografia, da Física, da Geologia, da Informática e da Literatura.

A Matemática que explica o raciocínio base de tudo o que existe no universo, são palavras em forma de números, a Filosofia ensina-nos a pensar de forma coerente e cuidada. A Química ensina-nos como somos feitos, como o Universo é feito, a Biologia fala-nos da nossa evolução, da evolução do Mundo e do Universo.

A História fala-nos do nosso passado, de onde viemos e porque aqui residimos, a Geografia abre os nossos olhos para problemas ambientais, sociais e económicos. A Física estuda a natureza e os seus fenómenos, tais como formas de energia e forças, a Geologia estuda a vida da Terra e do planeta em si.

A Informática é um mundo de informação computorizada, do qual que já não conseguimos viver. A Literatura é como se fosse a nossa língua e hoje em dia, o Português como nós conhecemos encontra-se à beira da extinção, tudo isto devido a acordos ortográficos sem cabimento, porque realmente se existe hoje em dia algo que tem maior significado que todas as matérias e que todas as palavras, chama-se Dinheiro.

Ele move-nos e dá-nos segurança, mas se existe algo que ele não faz, esse algo é nos fazer feliz. Porque existe muita gente no mundo que não tem nem mil milésimas, do que o resto das outras pessoas do mundo, de pessoas como eu, de pessoas como tu. Mas elas têm algo o que nós não temos, que é felicidade absoluta em pobreza extrema. Perguntem-me o porquê? Eu responder-vos-ei que meia-palavra basta para viver e ser feliz, nem que seja por um curto espaço de tempo.

Tal como essas pessoas, eu ambiciono atingir tal felicidade. É por isso que vivo, respiro e sobretudo escrevo, porque quero abalar o mundo com as minhas palavras. Se algo que existe e que eu sou capaz de compreender, são estas inocentes palavras, sem elas este mundo não existia e talvez assim fosse melhor, porque cada vez mais existem más interpretações e por isso temos o mundo como temos.

É verdade que todos erramos porque somos humanos, mas voltar a cometer os mesmos erros está fora da consciência humana, contudo está no nosso instinto e isso é que nos torna imperfeitos.

Não me voltem a dizer que as palavras não provam nada, porque penso que deixei bem claro o que quis dizer. Não usem o dicionário para procurar significados, sinónimos e antónimos para as palavras, aprendam a viver porque ela nos ensina o que é bom, mau, útil, inútil e o que é ou não merecedor do nosso sacrifício, felicidade e das mais sábias palavras que os nossos ouvidos conseguem interpretar e os nossos lábios conseguem soltar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Saudades...

Sinto Saudades… do teu olhar incandescente, dos teus beijos que deixavam tudo da minha vida para trás, da tua língua que se entrelaçava com a minha nas nossas bocas, do teu sorriso que me fazia feliz, do teu abraço que me fortalecia e aconchegava, das tuas mãos que não me largavam, das tuas palavras que me sussurravas ao ouvido, da maneira como me mexias no cabelo e me mordias o pescoço… Tenho saudades de ti, do nosso amor e tudo o que representavas para mim. Embora ainda não te conheça rapariga e seja quem tu fores, já sofro por antecipação.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Garrafa de Vidro

Parei de escrever cartas, porque tu já não as lês. Então pensei em pôr tudo o que sinto numa só e numa garrafa de vidro, não uma carta que possas ler, mas sim que possas sentir, ver e poder seguir em frente.

Fui para a casa de banho e olhei para o espelho, estava com um olhar decidido do que ia fazer, uma loucura certa, mas não via nenhum medo em mim. Enrolei a minha mão direita numa toalha e parti o espelho, desfez-se em bocados e aos poucos ia caindo aos meus pés.

Então sentei-me no chão, dele vinha um frio intenso que me arrefecia todo e fiquei na dúvida se seria capaz de fazer o que queria fazer. Era um homem determinado e louco, tinha que levar aquela brilhante ideia para a frente. Abri a garrafa vazia, aproximei o meu pulso esquerdo do gargalo e cortei-o. Fiz escorrer, não o meu sangue, mas sim o que continha. Fiquei sem forças por breves instantes, aproximei o outro pulso e fiz o mesmo.

Dentro da garrafa, aquela que te ia oferecer, estava tudo de mais importante para ti e para nós, mas eu já não existia. Na garrafa estava uma tinta, que tinha vida, história e sentimento. Era com essa tinta que eu escrevia todas as cartas de amor, todas as cartas que diziam que tinha saudades tuas, todas cartas que pediam uma segunda oportunidade e todas as cartas que tive medo de te enviar.

Pois dentro desta garrafa, estava a nossa história de amor e sem nunca te ter dito nada, no fim dela, na última página eu escrevi:

“A ti que me fizeste imensamente feliz, deixo-te o meu legado, um dom perdido de amor, loucura e paixão.”

Agora podes viver, escrever e reescrever um novo capítulo da tua vida.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A vocês mulheres ou raparigas

A quem me teve e “deitou-me” fora, a quem me dei e não me quis acompanhar, a quem me proporcionou bons e curtos momentos, é a vocês mulheres ou raparigas que pela minha Terra passaram, que agradeço por terem-me tornado o Homem que sou hoje, e o Príncipe que fará da próxima rapariga uma Princesa.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A vós, um muito obrigado.

Quero cair num sono profundo, mas um sono quase sem fim. Assim terei, talvez, todo o tempo do mundo para encontrar aquilo que perdi. Uma chave? Um livro? Um lápis? Uma afia? Uma borracha? …? Já nem sei.

Cheguei-me à beira da cama, pus os phones nos ouvidos, a música a tocar. Tirei uma dezena de comprimidos para dormir da caixa, pu-los na boca e bebi o meu copo de água, talvez o meu último. Sentei-me na cama, observei para o tecto e o meu quarto, senti que era um adeus, provavelmente era melhor assim. De uma forma que ninguém iria suspeitar, pelo menos logo naquele momento.

A minha cabeça caiu sobre a almofada e eu? Eu já tinha partido, mas não há muitos segundos. O meu coração estava parado. E eu? Eu andava à procura do que tinha perdido nas minhas recordações, na minha mente. O tempo ali parecia eterno, mas na vida real, eu estava morto há quatro minutos, não ouvia ninguém do lado de fora.

Continuei a andar pelo trilho de memórias deixado por algo ou alguém. O caminho era um pouco obscuro, infeliz, chuvoso, mas com uma vontade incomum. Porque aos poucos e poucos, os passeios iam aumentando de altura, tal como muralhas que são construídas pedra sobre pedra. Um caminho com vontade própria ou era fruto da minha imaginação? Eu estava morto, era uma alma à espera da luz, mas eu via cada vez menos no caminho, estava mais escuro.

Cada passo dado, era mais difícil que outro, estaria a subir uma colina? Uma montanha? Estava cego, mas tinha chegado ao fim. Já não dava para continuar, mas de repente vi uma luz a vir detrás de mim, era o fogo de uma lareira. Um sinal de esperança ou uma armadilha preparada por mim? Para que ninguém descobrisse o que ia na minha cabeça? Já nem sei.

Tudo o que ali se passava, era como se eu já não me conhecesse a mim próprio, porque simplesmente não sabia de nada. Tinha personalidade múltipla? Existia mais do que um “eu”? Tantas perguntas e tanto medo de saber as respostas.

Sentei-me e aqueci-me junto daquela fogueira. Tinham passado mais quatro minutos e os meus órgãos já estavam a auto-destruir-se, felizmente eu não sentia dores. Comecei a ouvir passos a caminhar na minha direcção, não muito perto e não muito longe. À medida que se aproximava, eu começava a temer o que viria ali.

Parou e olhou para mim, mas fingiu que não estava lá ninguém. Sentou-se e tirou da mala que carregava às costas uma chave, um livro, um lápis, um afia, uma borracha, um coração e disse:

-Que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

Eu não sabia o que dizer, era eu a falar para mim mesmo. Levantei-me e perguntei:

-Quem és? De onde vens? Como sabes quem eu sou?

-Eu sou tu, venho de onde tu vens e sei quem tu és, porque este lugar é o teu lugar ou melhor dizendo, o nosso lugar.

-Impossível, és fruto da minha imaginação.

-Sou pois, tal como tudo o que escreveste.

-Nem tudo que escrevi era fruto da minha imaginação, era parte de mim.

-Tal como eu sou.

-…

-Que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

-Outra vez essa pergunta?

-Sim, não vieste à minha procura?

-Não, eu vim à procura do que perdi.

-Então? Foi a mim que me perdeste, ou já te esqueceste?

-A ti? Já me esqueci?

-Sim, foi a mim que me perdeste.

-…

-Não percebes?

-Não.

-Queres que eu te explique?

-Já agora.

-A partir do momento que quis deitar tudo da minha vida para trás, porque eu não conseguia superar as dificuldades, porque não conseguia ver bem o mundo, porque sentia-me pior que ninguém. Escolhi pôr um fim à minha vida e dizer um “até nunca mais” ao mundo, aos meus pais, à minha irmã, aos meus melhores amigos, aos meus amigos, a tudo de bom e mau da vida. Foi isto que preferi.

-Mas isso fui eu que fiz!

-Tu como quem diz, eu. Mas agora que aqui estou, volto a perguntar-te: uma chave, um livro, um lápis, um afia, uma borracha, um coração, que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

-Porquê?

-Porque eu quero viver.

-Tu?

-Sim, eu!

-Porquê?

-Porque agora que nos encontrámos, agora que te encontraste, agora que estamos juntos e prontos para viver, não vale a pena estar morto ou vale?

-…

-Daqui a dois minutos, podemos começar a dizer o adeus a nós.

-…

Nada disse e esperei.

-Pela ultima vez, que escolhes? Porque desta escolha não poderás voltar atrás.

-Eu, eu não sei.

-Não tens amor à vida?

-Não.

-Mas eu tenho.

-Se eu sou tu, como tu tens e eu não?

-Eu vivo dentro de ti, eu sou aquilo que para ti está morto. Mas eu deixei aqui uma lembrança dentro do teu cérebro, no caso de um dia quereres pôr fim à tua vida. Eu sou aquilo com que amas, eu sou aquilo com que levantas todos dias, eu sou aquilo que te dá energia para lutares sem cessar, eu sou aquilo que quando estás triste te apetece desaparecer, eu sou aquilo que um dia irá parar de forma natural, eu sou… o que eu sou?

-Tu és…

-Escolhe, por favor.

-O coração.

-Obrigado.

-Não agra… .

Senti o meu corpo a ser puxado por fortes impulsos eléctricos, a uma velocidade estrondosa… e mais uma vez, outra vez… Não tive tempo de agradecer ao meu coração, porém os impulsos eléctricos iluminaram todo o caminho que tinha percorrido, mas que não conseguia ver. Vi molduras, vi espelhos da minha vida, vi os meus melhores momentos e os meus piores momentos, vi os meus amigos a serem felizes e eu sempre do lado deles, vi a minha irmã a entrar na Universidade, vi a minha namorada a sorrir para mim, vi-me a chorar por todas as coisas que não tinha feito, vi-me a chorar por tudo o que queria ter e que não tinha, vi-me a chorar por lutar e não conseguir obter o que queria, vi-me a chorar pelo meu passado e pelo qual lamentava imenso, infelizmente. Mas depois de tudo o que tinha visto, apercebi-me que independentemente do que tenha acontecido, tudo isto e tudo aquilo, só me tornou a pessoa que sou hoje. Não posso ser feliz de todo, mas é para lá que eu caminho… Fui puxado para uma luz ao fundo do túnel…

-Já acordou? (Ouvia-se o choro de imensas pessoas)

-Já.

-Filho? Mano? Filipe? (Eram os meus pais, a minha irmã, a minha família, a minha namorada, os meus amigos)

Olhei-os a todos no rosto, estavam tristes, desalmados e alguns com uma vontade enorme de me bater, mesmo que eu tivesse atravessado para o outro lado. Algo que não aconteceu por pouco. Pus a mão ao peito e disse:

-Obrigado coração, obrigado pais, obrigado mana, obrigado família, obrigado namorada e amigos.

Eles ficaram sem resposta, mas pararam de chorar. Jurei-lhes que não faria mais algo do género na minha vida. Porque se não fosse por eles, eu já cá não estaria e sem eles não era o que sou hoje.

Só vivendo a vida, é que poderei descobrir se serei feliz. Só vivendo a vida, é que posso abrir portas para o futuro, construir novas amizades, dar mais a alguém que precise mais que eu, dar uma mão para poder salvar o mundo, dar um sorriso a alguém para ser feliz, nem que seja só por um dia, por um só segundo. Só vivendo a vida, é que poderei escrever um livro, e mesmo que ninguém o leia, estará guardado na prateleira cheio de pó, mas sempre gravado na memória. Só vivendo a vida, é que posso escrever sobre a mesma e dizer quanto gosto de certas pessoas. Só vivendo a vida, é que posso afiar o meu lápis e fazer durar eternamente a minha família, o meu amor, os meus amigos e eu. Só vivendo a vida, é que posso dar uso à borracha, não para apagar os erros, mas sim para emenda-los.

Só vivendo a vida, é que poderei dizer do fundo do coração e independentemente dos bons ou maus momentos, que passámos, passamos ou passaremos:

“Amo-vos a todos: Família, Namorada e Amigos”

-A vós, um muito obrigado.


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Quero agradecer a todos os meus amigos, a quem falo todos dias, com quem estou todos dias, com quem conto todos dias, por quem me levanto todos dias para os ajudar, estou cá sempre para vocês.

Mas especialmente a vós: Tatiana Graça, Leandro R. e Inês P. É em vocês que me inspiro maior parte das vezes, é por vocês que cá estou maior parte das vezes, é por vocês que levanto todos dias. Vocês são os amigos verdadeiros que um homem, não agora, mas um dia serei, pode ter.

Obrigado!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Rapariga da Fonte

Numa aldeia perto da Serra da Estrela, que na altura não tinha nome, existia uma fonte que não expelia água há já alguns anos. A população não sabia o porquê, conseguia-se ouvir a água que passava por baixo da fonte, mas ela recusava-se em sair. Procuraram mil e uma maneiras para resolver o problema, mas infelizmente nada resultou. A água simplesmente “fugia” aos aldeões.

Então no dia 22 de Março de 1493, uma mulher deu à luz uma menina, à qual deu o nome de Aqua. Nessa mesma noite, a fonte começou a deitar água, era pouca. Mas sendo ela um símbolo de esperança e de vida para aquela aldeia, para aquela população, era mais que suficiente. Passaram-se dezoito anos e já não havia escassez de água, e mesmo os aldeões não tendo explicação para o sucedido, estavam gratos por tal divindade. Só que, mesmo não sabendo, foi algo divino que os tinha ajudado.

Era o aniversário de Aqua e ela fazia dezoito anos nessa noite. Tinha-se tornado numa bela jovem mulher, tinha cabelo branco da cor da neve, olhos cinzentos, os lábios um pouco grossos e encarnados, tinha seios grandes, mas firmes. Ela tinha uma beleza perfeita, mas o que era mais perfeito em si, era o seu interior. Tinha um coração doce e vermelho como um morango, cheio de vida, felicidade e sinceridade.

Depois de ter acabado a sua festa de aniversário, Aqua foi sair com o seu grupo de amigas para o festival da Água que acontecia todos os anos, foi onde ela tinha conhecido o seu actual namorado há dois anos atrás. Só que ela não sabia o que estava prestes acontecer. Chegou à festa com as amigas, depois de percorrerem um longo caminho naquela noite gelada e deparou-se com o namorado a dançar, e a beijar outra rapariga.

Ficou pálida, parecia que tinha morrido naquele instante. O rapaz olhou para ela e disse que tinha sido um mal entendido, ela não lhe respondeu e saiu dali a correr o mais depressa possível. Correu até à maravilhosa fonte, aquele era o seu ponto de abrigo, o seu cantinho de lamentações. As lágrimas de Aqua congelavam-se nos seus olhos, o frio era imenso e, mesmo assim, ela tirou a roupa e deitou-se no pequeno lago que a fonte tinha com peixes.

A partir desse dia, Aqua tinha desaparecido e ninguém sabia dela. Contudo, havia ainda mais água na fonte do que alguma vez se podia ler nos livros de história. Ela passou a existir dentro de nós, a curar todos os males, a tornar-nos mais vivos, mais fortes, mais saudáveis e mais felizes.

A água é o bem natural mais importante da vida, por isso preservem-na.

Curiosidades: 22 de Março – Dia Mundial da Água; Água vem do latim: Aqua;

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Juventude

A juventude de hoje em dia está perdida, já não se interessam em serem melhores do que são, interessam-se antes por pisar os outros e marcar uma boa imagem perante o ridículo desta sociedade. Não trazem raízes culturais, educacionais... Semeiam antes uma vida sem cérebro, onde pensar está fora de questão, onde não existe sentido de argumentação e de autonomia. Contudo, tem o maior sentido crítico da história, por exemplo: “És mesmo boa; Aquele gajo tem um grande corpo; Curti com aquele/aquela; Comi aquele/aquela; Aquela/Aquele rapariga/rapaz está fora de moda; É mesmo feia/feio;”, etc.

São influenciados de forma fácil e notória por quem domina o “conhecimento”, que mesmo sendo pouco ou não, é capaz de implementar uma ideia, na maior parte das vezes falaciosa sobre algo ou alguém. Esta pessoa está hierarquicamente acima dos outros do grupo, mesmo que estes não notem.

Se existe algo que eu acho mal em relação às gerações passadas, foi a excessiva poluição causada pelas revoluções industriais e tecnológicas, mas também, por causa de uma mentalidade mais retrógrada. Agora olho para estas novas gerações e o que posso dizer que está mal? Está quase tudo mal (exigem mais, querem fazer menos, não pensam por si próprios e ainda querem “roubar” o que é de outros), excepto o facto de terem uma mentalidade mais aberta, mas infelizmente é só para o que querem.

Se Darwin hoje fosse vivo, teria alterado o nome da sua teoria da Evolução das Espécies para a teoria da Evolução da Estupidez ou Burrice. Porque supostamente a inteligência das futuras gerações deveria de aumentar e não diminuir. Algo que eu não percebo e não é de certeza pela falta de raciocínio ou conhecimento.

Agora pergunto eu, onde é que esta juventude vai parar? Onde vai parar a cultura, a educação, e o conhecimento em si? Uma coisa é existir pessoas que não tem posses para poder estudar, entre outros. Outra e sendo esta um parêntesis, é ir à escola para nada e ainda arranjar problemas. Por ultimo, é ter posses e não investir na melhor coisa que existe, que é aumentar as suas capacidades cognitivas e físicas, porque mais tarde vai depender de si e não de outros.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Bloco de Notas

Levantei-me por volta do meio-dia, tinha acordado com uma cara pálida, por causa da anterior noite de festa. Podia dizer com toda a certeza, que ontem à noite tinha bebido um copinho a mais. O álcool tinha morto alguns dos meus neurónios, contudo antes de me levantar da cama e ainda de olhos fechados, comecei a lembrar-me de um pequeno bloco de notas que tinha cá por casa e não sabia dele.

Dirigi-me à casa de banho e lavei a cara umas cinco vezes, começou a ganhar novamente alguma cor. Olhei para o meu quarto e viu-o desarrumado, arrumei-o enquanto pensava onde estaria o bloco. Não o encontrei no meu quarto e não tinha a mínima ideia de onde podia estar.

Senti tonturas e que tinha perdido as forças do meu corpo. Cai no chão desamparadamente. Não tinha comido nada e não tinha ninguém em casa. Fiquei ali horas no chão, até que quando abri os olhos devagar e voltei a sentir o sangue correr nas veias, pude ver o tal bloco, que estava colado com fita-cola por baixo da secretária. Lembrei-me logo porque tinha ali posto, ninguém o via e, ninguém arrumava e limpava o meu quarto para além de mim.

A noite tinha me dado volta à cabeça e o facto de nunca mais ter mexido nele, fez-me esquecer de onde podia estar. Peguei nele e não tinha nada escrito, tinha um buraco no meio para onde eu mandava as minhas palavras. Quando puxava a primeira folha para cima, podia-se ver que aquilo fazia um mini-cestinho do lixo, mas não era lixo que lá tinha posto.

Tinha lá posto o meu passado, mandei-o reciclar para conseguir viver com ele e sentia que era altura de revive-lo, mas desta vez guarda-lo em mim. Porque se existe algo que faz parte de nós, é o passado e sem ele, eu era uma pessoa sem rumo. Por mais duro que tenha sido, faz parte de mim e é comigo, e não com mais ninguém que deve estar. O meu bloco de notas amarelo, reciclou uma parte da embalagem da minha vida.