sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Mundo está a verter...

O mundo está a verter, não água, mas sangue. Tudo começou através de um jovem rapaz que se sentia desesperado para encontrar o amor, algo que o marcasse para sempre. Só que este não captava atenção de nenhuma rapariga.

Um dia ele pediu algo ao Diabo, um dom para escrever três formas de amor, desde amor carnal, sexual e virgem, tudo em troca da sua alma. O Diabo aceitou tal troca e ofereceu-lhe tal dom. O mal foi esse, o pior mal de todos, um mal para o qual o mundo não estava preparado. Porque eram poucos no mundo que sabiam e tinham aprendido o verdadeiro significado de amar alguém.

Miguel, é como se chamava o jovem rapaz, escreveu então uma carta ao mundo, a mais curta carta de sempre. Só tinha uma frase, que era tão clara como se fosse um ser superior a todos os terrestres a falar. Onde dizia: “hoje, amanhã e para o resto das vossas vidas vão amar alguém especial. Dar-vos-ei três formas de amor, o carnal, o sexual e o virgem”. Assim foi.

Maior parte escolheu o amor carnal e sexual, eram dois tipos de amores que transparecia qualquer barreira do “amor”, logo não era amor. Poucos escolheram o amor virgem. Até o próprio Diabo que quando ouviu a carta nas noticias, apaixonou-se por uma medusa que o cegou de amor.

A partir desse dia o mundo verteu sangue, porque nem todos sabiam amar e como sentença máxima as suas almas eram aprisionadas no reino dos infiéis, um reino fora dos três reinos que existiam (Inferno, Terra e Paraíso/Céu).

Os últimos que tinham optado por um amor Virgem, o amor dos Deus, um amor sem pecados traições e com pouca dor. Porque nada é perfeito, nem mesmo os Deuses, era um amor verdadeiro e rebelde.

Dai adiante Miguel, tornou-se um cúpido e salvador da humanidade. Um verdadeiro anjo, que não usava setas, mas sim cartas para encaminhar as pessoas no caminho certo e curar todos os males que lhe tinham causado ao seu coração, que agora estava a parar de sangrar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Desconhecida

Vou escrever numa folha com frente branca e verso preto. Na parte branca escreverei com tinta preta os meus mais obscuros segredos e no verso preto, escreverei a vermelho os meus sete pecados.

No fim de escrever tudo, virei a face branca para ficar lado a lado com a face preta. Deito ambas as folhas no chão e levanto-me, começo a ver um rosto. Rasgo mais e mais, até ficarem pequeniníssimos e afasto-os um do outro.

Levanto-me mais uma vez e olho para as folhas de papel, que lindas ficaram. Era o teu rosto pálido, o teu cabelo escuro e os teus lábios vermelhos. Eras o meu maior segredo, o segredo que não queria perder da minha memória, e, eras o meu maior e mais forte pecado, porque por ti senti um amor inquietante.

Foste uma desconhecida que me conquistou, mas há muito que partiste e eu por aqui fiquei, entregue a mundo que não conheço.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

As razões...os sentimentos...

"As razões não são estúpidas, os sentimentos é que nos tornam estúpidos!" -
Filipe Graça

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Louco

Dou comigo horas a fio a pensar em escrever algo, enquanto me surgem frases aleatórias na minha cabeça, enviadas de não sei de onde, por não sei quem, que chegam aqui e dão-me uma ideia clara do que quero escrever. Às vezes penso que sou mentalmente doente, porque não consigo obter um equilíbrio claro entre a emoção e a razão, há dias que tenho que ser mais lógico e noutros mais emotivo, mas não há um sem o outro. Tenho que ser muito de um e pouco de outro, vice-versa.

Gostava de conseguir um equilíbrio entre ambos. Como não consigo, encontro-me assim sem saber o que escrever ao certo, apesar de estar claro na minha cabeça, mas que vou escrever, vou sem mínima dúvida. Agora sobre o quê e porquê? Não sei bem. Mas vou parar para pensar em algo que seja delicado e tenha uma amargura louca de um certo sentimento. [21:52]

Sou um louco que perpétua nas masmorras das suas memórias, preso por algemas que me seguram as mãos e os pés à parede. Estou preso e daqui não consigo sair. Deixaram aqui umas cobras, umas aranhas, uns escorpiões para me envenenarem o corpo, a alma, o coração.

Já aqui estou há cerca de dezoito mil anos, onde não vejo a luz do dia, onde só vejo sombras do passado e por causa delas, sofro na pele por tudo o que lutei e trabalhei. Sou um fraco e um demente, que já não sabe dar sentido à ignorância de um mundo que já não oiço, que já não vejo. Mas que ainda me ouve.

Ouvem-me tanto, mas tanto que até aposto que estão fartos de me ouvir. Os meus gemidos de dor, os meus gritos de insanidade, os meus choros por causa de tal tortura. Mas ainda vivo e perguntam como é possível. Nem eu sabia, mas bem…

Isto era eu. Agora quem eu sou? Morri três mil anos depois e de que isso me valeu? Nada, mas ao Mundo, oh ao Mundo! Valeu-lhes de tudo. Valeu-lhes não ouvir com os ouvidos, não a ver com os olhos, não a falar com os lábios, com a língua, não a sentir com as mãos ou com os membros do corpo. A minha morte valeu-lhes uma compreensão sobre o que não se vê, o que não se ouve, não se fala e não se sente com as mãos, com os pés. Somente com o coração.

Hoje sinto-me livre, mas continuo um louco. Louco por me darem razão, por me darem emoção, por me darem uma oportunidade de viver a vida, por me mostrarem um mundo e os seus mais diferentes mundos e formas de viver. Louco, mas tão louco para procurar uma felicidade que está tão fora do meu alcance, tão como certos cometas que passam de cem em cem anos ou de mil em mil anos.

Quando talvez a tiver na mão, uma possibilidade em mil. Vou libertar para outra pessoa ser feliz, porque sou louco, mas não sou invejoso.

O que pensam da vida?

Um dos meus melhores amigos pôs no seu facebook, uma questão sobre o que as pessoas pensariam da vida, no caso de alguém fizesse essa questão tal como ele fez.

À qual eu respondi que nada penso, porque realmente estou aqui para vivê-la. Mas na verdade, todos nós reflectimos sobre a vida, porque somos felizes nela e sofremos nela, construímos sonhos e até os mesmos destruímos. Porquê? Talvez encontremos outro rumo que nos dê aquilo que verdadeiramente queremos, que seja mais fácil ou mais difícil de lutar consoante a consciência e hipóteses de cada um.

Não sei, é uma pergunta que tem inúmeras respostas para uma só pessoa. Agora imaginem esta a chegar a mil milhões de pessoas. Contudo e como não existe uma resposta certa sobre o que penso da vida, vou limitar-me a vivê-la e no dia que morrer, terei todo o tempo do mundo para pensar sobre ela.

Passo a palavra:

“Leandro Rodrigues

Se vos pusessem esta pergunta à frente o que respondiam: "O que pensam da vida?" “

sábado, 25 de dezembro de 2010

Palavras...

Sempre ouvi dizer que “palavras são palavras e não provam nada”, mas o que é uma palavra? É um vocábulo, um termo, um procedimento. O que é um procedimento? É um modo de actuar, um comportamento, um processo. Esse modo de actuar, leva à acção e se existe acção por parte de algo ou alguém, é porque houve um reflexo de pensamento. Reflectir sobre o que quer que seja, exige uma construção elaborada de um plano e esse plano exige o quê? Palavras.

Logo é absurdo dizer que as palavras não provam nada, elas provam mais do que imaginamos quando as sabemos ler e hoje em dia são só alguns que sabem ler entre as entrelinhas. Às vezes não tenho vocabulário suficiente para dizer o que lá está entre essas linhas, até porque tenho dificuldades de me expressar verbalmente. Sim, porque as palavras são usadas num acto de fala também.

Volto a repetir que, as palavras provam mais do que imaginamos. São elas que nos induzem ou não à compreensão de um erro, são elas que nos servem de consolo quando mais precisamos, são elas que nos magoam, são elas na publicidade que nos incentivam à compra de algum produto ou a ajudar alguém.

Se na vida encontramos mil e um problemas, também podemos encontrar mil e uma soluções, mesmo que uma só chegue para resolução desses problemas, e todos eles começam com palavras, depois seguem diferentes vias: a da Matemática, da Filosofia, da Química, da Biologia, da História, da Geografia, da Física, da Geologia, da Informática e da Literatura.

A Matemática que explica o raciocínio base de tudo o que existe no universo, são palavras em forma de números, a Filosofia ensina-nos a pensar de forma coerente e cuidada. A Química ensina-nos como somos feitos, como o Universo é feito, a Biologia fala-nos da nossa evolução, da evolução do Mundo e do Universo.

A História fala-nos do nosso passado, de onde viemos e porque aqui residimos, a Geografia abre os nossos olhos para problemas ambientais, sociais e económicos. A Física estuda a natureza e os seus fenómenos, tais como formas de energia e forças, a Geologia estuda a vida da Terra e do planeta em si.

A Informática é um mundo de informação computorizada, do qual que já não conseguimos viver. A Literatura é como se fosse a nossa língua e hoje em dia, o Português como nós conhecemos encontra-se à beira da extinção, tudo isto devido a acordos ortográficos sem cabimento, porque realmente se existe hoje em dia algo que tem maior significado que todas as matérias e que todas as palavras, chama-se Dinheiro.

Ele move-nos e dá-nos segurança, mas se existe algo que ele não faz, esse algo é nos fazer feliz. Porque existe muita gente no mundo que não tem nem mil milésimas, do que o resto das outras pessoas do mundo, de pessoas como eu, de pessoas como tu. Mas elas têm algo o que nós não temos, que é felicidade absoluta em pobreza extrema. Perguntem-me o porquê? Eu responder-vos-ei que meia-palavra basta para viver e ser feliz, nem que seja por um curto espaço de tempo.

Tal como essas pessoas, eu ambiciono atingir tal felicidade. É por isso que vivo, respiro e sobretudo escrevo, porque quero abalar o mundo com as minhas palavras. Se algo que existe e que eu sou capaz de compreender, são estas inocentes palavras, sem elas este mundo não existia e talvez assim fosse melhor, porque cada vez mais existem más interpretações e por isso temos o mundo como temos.

É verdade que todos erramos porque somos humanos, mas voltar a cometer os mesmos erros está fora da consciência humana, contudo está no nosso instinto e isso é que nos torna imperfeitos.

Não me voltem a dizer que as palavras não provam nada, porque penso que deixei bem claro o que quis dizer. Não usem o dicionário para procurar significados, sinónimos e antónimos para as palavras, aprendam a viver porque ela nos ensina o que é bom, mau, útil, inútil e o que é ou não merecedor do nosso sacrifício, felicidade e das mais sábias palavras que os nossos ouvidos conseguem interpretar e os nossos lábios conseguem soltar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Saudades...

Sinto Saudades… do teu olhar incandescente, dos teus beijos que deixavam tudo da minha vida para trás, da tua língua que se entrelaçava com a minha nas nossas bocas, do teu sorriso que me fazia feliz, do teu abraço que me fortalecia e aconchegava, das tuas mãos que não me largavam, das tuas palavras que me sussurravas ao ouvido, da maneira como me mexias no cabelo e me mordias o pescoço… Tenho saudades de ti, do nosso amor e tudo o que representavas para mim. Embora ainda não te conheça rapariga e seja quem tu fores, já sofro por antecipação.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Garrafa de Vidro

Parei de escrever cartas, porque tu já não as lês. Então pensei em pôr tudo o que sinto numa só e numa garrafa de vidro, não uma carta que possas ler, mas sim que possas sentir, ver e poder seguir em frente.

Fui para a casa de banho e olhei para o espelho, estava com um olhar decidido do que ia fazer, uma loucura certa, mas não via nenhum medo em mim. Enrolei a minha mão direita numa toalha e parti o espelho, desfez-se em bocados e aos poucos ia caindo aos meus pés.

Então sentei-me no chão, dele vinha um frio intenso que me arrefecia todo e fiquei na dúvida se seria capaz de fazer o que queria fazer. Era um homem determinado e louco, tinha que levar aquela brilhante ideia para a frente. Abri a garrafa vazia, aproximei o meu pulso esquerdo do gargalo e cortei-o. Fiz escorrer, não o meu sangue, mas sim o que continha. Fiquei sem forças por breves instantes, aproximei o outro pulso e fiz o mesmo.

Dentro da garrafa, aquela que te ia oferecer, estava tudo de mais importante para ti e para nós, mas eu já não existia. Na garrafa estava uma tinta, que tinha vida, história e sentimento. Era com essa tinta que eu escrevia todas as cartas de amor, todas as cartas que diziam que tinha saudades tuas, todas cartas que pediam uma segunda oportunidade e todas as cartas que tive medo de te enviar.

Pois dentro desta garrafa, estava a nossa história de amor e sem nunca te ter dito nada, no fim dela, na última página eu escrevi:

“A ti que me fizeste imensamente feliz, deixo-te o meu legado, um dom perdido de amor, loucura e paixão.”

Agora podes viver, escrever e reescrever um novo capítulo da tua vida.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A vocês mulheres ou raparigas

A quem me teve e “deitou-me” fora, a quem me dei e não me quis acompanhar, a quem me proporcionou bons e curtos momentos, é a vocês mulheres ou raparigas que pela minha Terra passaram, que agradeço por terem-me tornado o Homem que sou hoje, e o Príncipe que fará da próxima rapariga uma Princesa.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A vós, um muito obrigado.

Quero cair num sono profundo, mas um sono quase sem fim. Assim terei, talvez, todo o tempo do mundo para encontrar aquilo que perdi. Uma chave? Um livro? Um lápis? Uma afia? Uma borracha? …? Já nem sei.

Cheguei-me à beira da cama, pus os phones nos ouvidos, a música a tocar. Tirei uma dezena de comprimidos para dormir da caixa, pu-los na boca e bebi o meu copo de água, talvez o meu último. Sentei-me na cama, observei para o tecto e o meu quarto, senti que era um adeus, provavelmente era melhor assim. De uma forma que ninguém iria suspeitar, pelo menos logo naquele momento.

A minha cabeça caiu sobre a almofada e eu? Eu já tinha partido, mas não há muitos segundos. O meu coração estava parado. E eu? Eu andava à procura do que tinha perdido nas minhas recordações, na minha mente. O tempo ali parecia eterno, mas na vida real, eu estava morto há quatro minutos, não ouvia ninguém do lado de fora.

Continuei a andar pelo trilho de memórias deixado por algo ou alguém. O caminho era um pouco obscuro, infeliz, chuvoso, mas com uma vontade incomum. Porque aos poucos e poucos, os passeios iam aumentando de altura, tal como muralhas que são construídas pedra sobre pedra. Um caminho com vontade própria ou era fruto da minha imaginação? Eu estava morto, era uma alma à espera da luz, mas eu via cada vez menos no caminho, estava mais escuro.

Cada passo dado, era mais difícil que outro, estaria a subir uma colina? Uma montanha? Estava cego, mas tinha chegado ao fim. Já não dava para continuar, mas de repente vi uma luz a vir detrás de mim, era o fogo de uma lareira. Um sinal de esperança ou uma armadilha preparada por mim? Para que ninguém descobrisse o que ia na minha cabeça? Já nem sei.

Tudo o que ali se passava, era como se eu já não me conhecesse a mim próprio, porque simplesmente não sabia de nada. Tinha personalidade múltipla? Existia mais do que um “eu”? Tantas perguntas e tanto medo de saber as respostas.

Sentei-me e aqueci-me junto daquela fogueira. Tinham passado mais quatro minutos e os meus órgãos já estavam a auto-destruir-se, felizmente eu não sentia dores. Comecei a ouvir passos a caminhar na minha direcção, não muito perto e não muito longe. À medida que se aproximava, eu começava a temer o que viria ali.

Parou e olhou para mim, mas fingiu que não estava lá ninguém. Sentou-se e tirou da mala que carregava às costas uma chave, um livro, um lápis, um afia, uma borracha, um coração e disse:

-Que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

Eu não sabia o que dizer, era eu a falar para mim mesmo. Levantei-me e perguntei:

-Quem és? De onde vens? Como sabes quem eu sou?

-Eu sou tu, venho de onde tu vens e sei quem tu és, porque este lugar é o teu lugar ou melhor dizendo, o nosso lugar.

-Impossível, és fruto da minha imaginação.

-Sou pois, tal como tudo o que escreveste.

-Nem tudo que escrevi era fruto da minha imaginação, era parte de mim.

-Tal como eu sou.

-…

-Que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

-Outra vez essa pergunta?

-Sim, não vieste à minha procura?

-Não, eu vim à procura do que perdi.

-Então? Foi a mim que me perdeste, ou já te esqueceste?

-A ti? Já me esqueci?

-Sim, foi a mim que me perdeste.

-…

-Não percebes?

-Não.

-Queres que eu te explique?

-Já agora.

-A partir do momento que quis deitar tudo da minha vida para trás, porque eu não conseguia superar as dificuldades, porque não conseguia ver bem o mundo, porque sentia-me pior que ninguém. Escolhi pôr um fim à minha vida e dizer um “até nunca mais” ao mundo, aos meus pais, à minha irmã, aos meus melhores amigos, aos meus amigos, a tudo de bom e mau da vida. Foi isto que preferi.

-Mas isso fui eu que fiz!

-Tu como quem diz, eu. Mas agora que aqui estou, volto a perguntar-te: uma chave, um livro, um lápis, um afia, uma borracha, um coração, que escolhes? Que mais desejas ou… Andas à procura do que perdeste?

-Porquê?

-Porque eu quero viver.

-Tu?

-Sim, eu!

-Porquê?

-Porque agora que nos encontrámos, agora que te encontraste, agora que estamos juntos e prontos para viver, não vale a pena estar morto ou vale?

-…

-Daqui a dois minutos, podemos começar a dizer o adeus a nós.

-…

Nada disse e esperei.

-Pela ultima vez, que escolhes? Porque desta escolha não poderás voltar atrás.

-Eu, eu não sei.

-Não tens amor à vida?

-Não.

-Mas eu tenho.

-Se eu sou tu, como tu tens e eu não?

-Eu vivo dentro de ti, eu sou aquilo que para ti está morto. Mas eu deixei aqui uma lembrança dentro do teu cérebro, no caso de um dia quereres pôr fim à tua vida. Eu sou aquilo com que amas, eu sou aquilo com que levantas todos dias, eu sou aquilo que te dá energia para lutares sem cessar, eu sou aquilo que quando estás triste te apetece desaparecer, eu sou aquilo que um dia irá parar de forma natural, eu sou… o que eu sou?

-Tu és…

-Escolhe, por favor.

-O coração.

-Obrigado.

-Não agra… .

Senti o meu corpo a ser puxado por fortes impulsos eléctricos, a uma velocidade estrondosa… e mais uma vez, outra vez… Não tive tempo de agradecer ao meu coração, porém os impulsos eléctricos iluminaram todo o caminho que tinha percorrido, mas que não conseguia ver. Vi molduras, vi espelhos da minha vida, vi os meus melhores momentos e os meus piores momentos, vi os meus amigos a serem felizes e eu sempre do lado deles, vi a minha irmã a entrar na Universidade, vi a minha namorada a sorrir para mim, vi-me a chorar por todas as coisas que não tinha feito, vi-me a chorar por tudo o que queria ter e que não tinha, vi-me a chorar por lutar e não conseguir obter o que queria, vi-me a chorar pelo meu passado e pelo qual lamentava imenso, infelizmente. Mas depois de tudo o que tinha visto, apercebi-me que independentemente do que tenha acontecido, tudo isto e tudo aquilo, só me tornou a pessoa que sou hoje. Não posso ser feliz de todo, mas é para lá que eu caminho… Fui puxado para uma luz ao fundo do túnel…

-Já acordou? (Ouvia-se o choro de imensas pessoas)

-Já.

-Filho? Mano? Filipe? (Eram os meus pais, a minha irmã, a minha família, a minha namorada, os meus amigos)

Olhei-os a todos no rosto, estavam tristes, desalmados e alguns com uma vontade enorme de me bater, mesmo que eu tivesse atravessado para o outro lado. Algo que não aconteceu por pouco. Pus a mão ao peito e disse:

-Obrigado coração, obrigado pais, obrigado mana, obrigado família, obrigado namorada e amigos.

Eles ficaram sem resposta, mas pararam de chorar. Jurei-lhes que não faria mais algo do género na minha vida. Porque se não fosse por eles, eu já cá não estaria e sem eles não era o que sou hoje.

Só vivendo a vida, é que poderei descobrir se serei feliz. Só vivendo a vida, é que posso abrir portas para o futuro, construir novas amizades, dar mais a alguém que precise mais que eu, dar uma mão para poder salvar o mundo, dar um sorriso a alguém para ser feliz, nem que seja só por um dia, por um só segundo. Só vivendo a vida, é que poderei escrever um livro, e mesmo que ninguém o leia, estará guardado na prateleira cheio de pó, mas sempre gravado na memória. Só vivendo a vida, é que posso escrever sobre a mesma e dizer quanto gosto de certas pessoas. Só vivendo a vida, é que posso afiar o meu lápis e fazer durar eternamente a minha família, o meu amor, os meus amigos e eu. Só vivendo a vida, é que posso dar uso à borracha, não para apagar os erros, mas sim para emenda-los.

Só vivendo a vida, é que poderei dizer do fundo do coração e independentemente dos bons ou maus momentos, que passámos, passamos ou passaremos:

“Amo-vos a todos: Família, Namorada e Amigos”

-A vós, um muito obrigado.


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Quero agradecer a todos os meus amigos, a quem falo todos dias, com quem estou todos dias, com quem conto todos dias, por quem me levanto todos dias para os ajudar, estou cá sempre para vocês.

Mas especialmente a vós: Tatiana Graça, Leandro R. e Inês P. É em vocês que me inspiro maior parte das vezes, é por vocês que cá estou maior parte das vezes, é por vocês que levanto todos dias. Vocês são os amigos verdadeiros que um homem, não agora, mas um dia serei, pode ter.

Obrigado!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Rapariga da Fonte

Numa aldeia perto da Serra da Estrela, que na altura não tinha nome, existia uma fonte que não expelia água há já alguns anos. A população não sabia o porquê, conseguia-se ouvir a água que passava por baixo da fonte, mas ela recusava-se em sair. Procuraram mil e uma maneiras para resolver o problema, mas infelizmente nada resultou. A água simplesmente “fugia” aos aldeões.

Então no dia 22 de Março de 1493, uma mulher deu à luz uma menina, à qual deu o nome de Aqua. Nessa mesma noite, a fonte começou a deitar água, era pouca. Mas sendo ela um símbolo de esperança e de vida para aquela aldeia, para aquela população, era mais que suficiente. Passaram-se dezoito anos e já não havia escassez de água, e mesmo os aldeões não tendo explicação para o sucedido, estavam gratos por tal divindade. Só que, mesmo não sabendo, foi algo divino que os tinha ajudado.

Era o aniversário de Aqua e ela fazia dezoito anos nessa noite. Tinha-se tornado numa bela jovem mulher, tinha cabelo branco da cor da neve, olhos cinzentos, os lábios um pouco grossos e encarnados, tinha seios grandes, mas firmes. Ela tinha uma beleza perfeita, mas o que era mais perfeito em si, era o seu interior. Tinha um coração doce e vermelho como um morango, cheio de vida, felicidade e sinceridade.

Depois de ter acabado a sua festa de aniversário, Aqua foi sair com o seu grupo de amigas para o festival da Água que acontecia todos os anos, foi onde ela tinha conhecido o seu actual namorado há dois anos atrás. Só que ela não sabia o que estava prestes acontecer. Chegou à festa com as amigas, depois de percorrerem um longo caminho naquela noite gelada e deparou-se com o namorado a dançar, e a beijar outra rapariga.

Ficou pálida, parecia que tinha morrido naquele instante. O rapaz olhou para ela e disse que tinha sido um mal entendido, ela não lhe respondeu e saiu dali a correr o mais depressa possível. Correu até à maravilhosa fonte, aquele era o seu ponto de abrigo, o seu cantinho de lamentações. As lágrimas de Aqua congelavam-se nos seus olhos, o frio era imenso e, mesmo assim, ela tirou a roupa e deitou-se no pequeno lago que a fonte tinha com peixes.

A partir desse dia, Aqua tinha desaparecido e ninguém sabia dela. Contudo, havia ainda mais água na fonte do que alguma vez se podia ler nos livros de história. Ela passou a existir dentro de nós, a curar todos os males, a tornar-nos mais vivos, mais fortes, mais saudáveis e mais felizes.

A água é o bem natural mais importante da vida, por isso preservem-na.

Curiosidades: 22 de Março – Dia Mundial da Água; Água vem do latim: Aqua;

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Juventude

A juventude de hoje em dia está perdida, já não se interessam em serem melhores do que são, interessam-se antes por pisar os outros e marcar uma boa imagem perante o ridículo desta sociedade. Não trazem raízes culturais, educacionais... Semeiam antes uma vida sem cérebro, onde pensar está fora de questão, onde não existe sentido de argumentação e de autonomia. Contudo, tem o maior sentido crítico da história, por exemplo: “És mesmo boa; Aquele gajo tem um grande corpo; Curti com aquele/aquela; Comi aquele/aquela; Aquela/Aquele rapariga/rapaz está fora de moda; É mesmo feia/feio;”, etc.

São influenciados de forma fácil e notória por quem domina o “conhecimento”, que mesmo sendo pouco ou não, é capaz de implementar uma ideia, na maior parte das vezes falaciosa sobre algo ou alguém. Esta pessoa está hierarquicamente acima dos outros do grupo, mesmo que estes não notem.

Se existe algo que eu acho mal em relação às gerações passadas, foi a excessiva poluição causada pelas revoluções industriais e tecnológicas, mas também, por causa de uma mentalidade mais retrógrada. Agora olho para estas novas gerações e o que posso dizer que está mal? Está quase tudo mal (exigem mais, querem fazer menos, não pensam por si próprios e ainda querem “roubar” o que é de outros), excepto o facto de terem uma mentalidade mais aberta, mas infelizmente é só para o que querem.

Se Darwin hoje fosse vivo, teria alterado o nome da sua teoria da Evolução das Espécies para a teoria da Evolução da Estupidez ou Burrice. Porque supostamente a inteligência das futuras gerações deveria de aumentar e não diminuir. Algo que eu não percebo e não é de certeza pela falta de raciocínio ou conhecimento.

Agora pergunto eu, onde é que esta juventude vai parar? Onde vai parar a cultura, a educação, e o conhecimento em si? Uma coisa é existir pessoas que não tem posses para poder estudar, entre outros. Outra e sendo esta um parêntesis, é ir à escola para nada e ainda arranjar problemas. Por ultimo, é ter posses e não investir na melhor coisa que existe, que é aumentar as suas capacidades cognitivas e físicas, porque mais tarde vai depender de si e não de outros.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Bloco de Notas

Levantei-me por volta do meio-dia, tinha acordado com uma cara pálida, por causa da anterior noite de festa. Podia dizer com toda a certeza, que ontem à noite tinha bebido um copinho a mais. O álcool tinha morto alguns dos meus neurónios, contudo antes de me levantar da cama e ainda de olhos fechados, comecei a lembrar-me de um pequeno bloco de notas que tinha cá por casa e não sabia dele.

Dirigi-me à casa de banho e lavei a cara umas cinco vezes, começou a ganhar novamente alguma cor. Olhei para o meu quarto e viu-o desarrumado, arrumei-o enquanto pensava onde estaria o bloco. Não o encontrei no meu quarto e não tinha a mínima ideia de onde podia estar.

Senti tonturas e que tinha perdido as forças do meu corpo. Cai no chão desamparadamente. Não tinha comido nada e não tinha ninguém em casa. Fiquei ali horas no chão, até que quando abri os olhos devagar e voltei a sentir o sangue correr nas veias, pude ver o tal bloco, que estava colado com fita-cola por baixo da secretária. Lembrei-me logo porque tinha ali posto, ninguém o via e, ninguém arrumava e limpava o meu quarto para além de mim.

A noite tinha me dado volta à cabeça e o facto de nunca mais ter mexido nele, fez-me esquecer de onde podia estar. Peguei nele e não tinha nada escrito, tinha um buraco no meio para onde eu mandava as minhas palavras. Quando puxava a primeira folha para cima, podia-se ver que aquilo fazia um mini-cestinho do lixo, mas não era lixo que lá tinha posto.

Tinha lá posto o meu passado, mandei-o reciclar para conseguir viver com ele e sentia que era altura de revive-lo, mas desta vez guarda-lo em mim. Porque se existe algo que faz parte de nós, é o passado e sem ele, eu era uma pessoa sem rumo. Por mais duro que tenha sido, faz parte de mim e é comigo, e não com mais ninguém que deve estar. O meu bloco de notas amarelo, reciclou uma parte da embalagem da minha vida.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Estrelas

No meio de um descampado, deitei-me levemente na relva como se tratasse de uma pena a cair, vinda lá do céu. Tinha vindo de uma noite e nada tinha bebido, mas sentia-me cansado e senti que aquele local era o ideal. Da mesma forma que cai, senti os meus pensamentos fluírem, conseguia ouvir os sons da natureza a entrarem na minha cabeça e deixarem-me num estado, tudo menos comum.

Fiquei num estado puro, onde encontrei o equilíbrio perfeito entre o meu corpo, a minha mente e a Natureza que me rodeava. O meu cansaço era tanto que eu sentia-me preso aquele lugar e dali não queria sair, mas era de notar que alguém já tinha lá estado. Estava tão liberto, que podia mesmo sentir um aroma feminino, uma fragrância intensa e inquietante.

Uma rapariga ou uma jovem mulher que poderia lá ter estado. Resolvi deixar um bilhete na maior árvore que havia ali ao pé. Quando me deparei frente a essa mesma árvore, pude ver vários pequenos papeis pregados. Mas não conseguia ver todos, então contornei-a. Os papéis eram mais que imensos, eram aos milhares e pareciam compor uma figura.

Afastei-me e a figura ganhava contornos. Afastei-me mais ainda e ao longe via uma rapariga sentada a cavalo, a correr até mim. É por isso que aquele aroma era tão forte, à velocidade que ela andava naquela zona, podia espalhar o seu encanto por todo aquele lugar.

Então debaixo das Estrelas acordei e ao levantar-me vi uma rapariga montada a cavalo, a desaparecer ao longe…

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Papel

- Olá Papel.

- Olá, que tens tu?

- Oh, eu não tenho nada.

- Não tens nada? Como podes dizer isso? Estás com uma cara de quem teve a chorar e estás a sangrar do nariz, não me enganas meu rapaz.

-Oh Papel, estou nervoso é por isso que estou a sangrar, os meus pais…

-Os teus pais? Que se passa, conta-me!

-Vais-me deixar tatuar o teu corpo, outra vez? Vais querer aliviar o meu fardo, antes de eu cometer alguma loucura? Não sei como tu não és capaz de te cansar de mim.

-Sabes uma coisa? Eu até sentia falta da tua caneta sobre as minhas linhas, eu já carrego o teu mundo no meu corpo e não me viste a rasgar ainda, pois não?

-Não, obrigado Papel. Deixa-me só pegar na minha caneta que já tem pouca tinta, vou tentar escrever tudo e mesmo que não o faça, voltarei cá ter contigo.

-Não precisas de agradecer-me, eu estarei cá sempre para ti.

-Vou começar. Prometo que não vai doer muito.

-…

“Estava sentado à frente do meu computador, como é habitual. Já tinha acabado de jantar. Esperei que a minha mãe se levantasse e fosse à rua ou à casa de banho, para eu poder despejar a garrafa do vinho. Esperei e esperei, até que tive oportunidade para tal. O problema é que eu não encontrava a garrafa em lado nenhum, porque ela já estava vazia.

Voltei para o quarto, antes que a minha mãe fosse sair da casa de banho e me apanhasse a coscuvilhar. Ela voltou para a cozinha e o meu pai foi para lá. Foi ai que começou a discussão, as boquinhas tristes de um ao outro. Bem, isso não foi o pior. Porque o pior vinha a seguir.

A minha mãe começou a empurrar o meu pai para fora de casa, porque ele ia para o café, onde anda sempre metido durante horas e horas. Não faz nada em casa, apesar de ficar a maior parte do dia a trabalhar. Ele não saiu, ficou cá dentro. Foi mais ou menos ai, que a minha mãe pregou uma chapada ou um soco no meu pai. Ele estava agarrado ao rosto.

Eu intervim. Pus-me entre os dois e perguntei à minha mãe se era com violência que ela resolvia as coisas, ao qual ela respondeu-me que sim. Então eu numa manobra desesperada, fui para o meu quarto, peguei no meu telemóvel e liguei para a polícia. A minha mãe veio atrás de mim e quase que me arrancou o telemóvel da mão. A minha irmã pôs atrás de mim nesse momento.

Eu já não estava em mim e ainda bem que não, senão não tinha coragem de dizer que, eles os dois já não eram pais para mim, que eu já não sentia isso. Que tinha vergonha de trazer os meus amigos cá para casa, por causa das vergonhas que eles me causam ou podem causar. Não só a mim, mas também à minha irmã. Chamei à minha mãe de bêbeda e ao meu pai de miserável.

Dei-lhes opção de escolha entre os problemas deles ou eu e a minha irmã. Tranquei a porta do quarto e vesti-me rapidamente, já não podia estar debaixo de uma chuva de meteoros que me incendiavam o quarto. Pior dos infernos, sai de casa e disse-lhes a mesma coisa, que para mim eles já não eram os meus pais. Descia as escadas do prédio o mais rápido possível e fui pela rua abaixo até à baia do Seixal. “

-Papel a minha caneta está a deixar de escrever, que faço agora?

-Salta o que tiveres de saltar, mas não pares de deitar cá para fora o que tens de deitar.

-Está bem Papel.

“Dei a minha volta pela Torre enquanto me ligavam de casa e a minha mãe me mandava mensagens a dizer que se não voltasse para casa, que iria acontecer um disparate. Como é que era possível ter a lata de fazerem coisas tristes, vergonhosas, infantis e ainda me ameaçar? As pessoas sabem descer muito baixo, mesmo elas sendo o nosso pai ou a nossa mãe.

Às vezes preferia passar fome como muitos passam nos Países em vias de Desenvolvimento, porque os Pais não dão mais aos seus filhos, porque não podem. Mas ao menos dão-lhes o que eles mais precisam afecto, força para lutar e um lugar de abrigo. O ser humano é capaz de viver sem comer, sem beber, mas é incapaz de viver sem amar ou ser amado por alguém.”

-Papel, já acabei.

-…

-Porque choras?

-Se não te tivesse a ti, ninguém me usaria. Ninguém me daria a importância que tu dás e mesmo assim eu fujo de ti, porquê?

-Não faz mal Papel, já podia ter escrito um livro, é certo, e já ter algum dinheiro, mas o dinheiro não me trás felicidade. Só mete comer na mesa e, acredita em mim, eu às vezes também fujo de mim e de toda gente.

-Não o devias fazer.

-Eu fujo para ser livre, para ser um pouco feliz e para estar contigo. O que era de mim sem ti? Nada e certamente, eu já não estaria cá há muito tempo. Papel, és o meu eterno companheiro.

-E tu o meu, Caneta.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Primeira vez - Poema

Pela primeira vez, senti o calor do sol

Pela manhã, o frio gelado pela noite,

Pela madrugada fora vi cristais de dor

E na manhã seguinte, chamei-te de amor.

domingo, 21 de novembro de 2010

O rapaz do Conto de Natal

Sempre naquela última semana antes do Natal, ele relembrava-se de todos os maus momentos, de todas as vergonhas e de todos os azares pelos quais tinha passado nesse dia, que para uns era tão especial, mas para ele era um dia como um outro qualquer. Todas as memórias de desgosto, vergonha e dor que tinha faziam-no sentir raiva e ódio sobre si.

Esse dia era sempre marcado pela chegada do pai a casa num estado alcoólico desagradável, trazendo consequências para a mãe. Esta sujeitava-se a ficar com a cara bolachada e um corpo cheio de nódoas negras, enquanto o rapaz se escondia dentro do armário e via tudo o que se sucedia. O pai envergonhava-o tanto que este não conseguia arranjar amigos e isso deixava-o desesperado e fraco, por não ter ninguém que o pudesse ajudar. Eram estas as memórias que tornavam o Natal tudo menos especial.

Então ele chorava à beira de uma janela do seu quarto, onde podia ver outras crianças a brincarem na neve com uma felicidade enorme, da qual ele tinha inveja. As lágrimas que caíam pelo seu rosto, que rapidamente se congelavam e traziam as suas memórias à deriva. Uma dessas lágrimas parecia um pequeno cristal que, ao cair-lhe do rosto e ao ver que se quebrava no chão, partiu a sua dor em mil pequenos pedaços.

Algo que nunca lhe tinha acontecido. Foi nesse momento, que ganhou coragem e força para lutar contra aquele pesadelo que já durava há uns oito anos, pelo menos daquilo que ele se lembrava. Porque se existia alguém que merecia, nem que fosse só por um dia sentir a verdadeira essência do Natal, era ele.

Foi preparar uma mala, pôs nela dois pares de meias, dois boxers, duas calças de ganga, duas camisolas, dois pijamas, a sua carteira, o seu caderno, um lápis e uma afia. Com a mala preparada, deixou uma nota em cima da mesa da cozinha para a mãe poder ler:

Vou fugir de casa, tenho 16 anos e não consigo viver mais neste inferno. Vou partir para longe e não me procures. Levo o essencial comigo, o meu material de escrita, o meu mundo às costas.

Vou procurar nesta semana a verdadeira essência do Natal e irei escrever sobre ela, um conto. Contudo, volto no dia a seguir ao Natal. Espero que tenhas coragem de fazer o mesmo que eu, foge também mãe, não quero ver-te sofrer, não te quero ver chorar mais.

Foge e volta no mesmo dia que eu. Iremos juntos à polícia e falaremos sobre tudo o que se passou e que se poderá voltar a passar.

Amo-te Mãe e espero que me compreendas, eu volto. “

O rapaz saiu de casa sem a mãe notar. Contornou todas as esquinas, percorreu todos os caminhos e assim continuou, até estar muito longe de casa. No seu caminho procurou um abrigo, onde fosse capaz de fazer uma pequena fogueira para se aquecer. Foi então que encontrou uma ponte que tinha um túnel, onde supostamente já tinha passado um rio há muitos anos, antes de ter secado. Pelo menos, foi o que ele tinha lido sobre a história da sua cidade.

Ele desceu as escadas que a ponte tinha até ao túnel e à medida que descia, podia-se ouvir a voz de um rapaz a cantar e de uma guitarra a ser tocada de forma majestosa e clara. Ao mesmo tempo ouvia-se um rapaz a rabiscar um papel, como se fizesse desenhos. Os sons aumentavam. Foi então que desceu completamente as escadas e viu dois vultos ao meio do túnel, à volta de uma fogueira.

Aproximou-se devagar e devagar, porque não sabia como aqueles estranhos poderiam reagir à sua presença. Chegou à beira de ambos e a balbuciar soltou um “Olá”. Aquelas duas personagens viraram-se e olharam para ele de cima a baixo, e responderam da mesma forma ao rapaz.

Depois de ver que aqueles dois rapazes tinham mais ou menos a sua idade, acabou por se apresentar. Disse que se chamava António, tinha dezasseis anos e que tinha fugido de casa. O que cantava e tocava chamava-se Miguel e o outro que parecia ter uns dezoito anos, e desenhava coisas que nunca se tinha imaginado, chamava-se Jorge.

O António perguntou-lhes o que faziam ali e eles disseram que tinham fugido também de casa. O Jorge fugiu porque os pais não o deixavam seguir Artes e o Miguel, porque os pais achavam que ele não teria nenhum futuro na música. António explicou-lhes os porquês de ter fugido de casa.

Então estavam juntos três artistas, um escritor, um músico e um desenhador. Começaram por mostrar os trabalhos uns aos outros, começaram por se conhecerem melhor. Assim foi até dia vinte e cinco, até ao dia do Natal. António sabia que dia vinte e seis, iria voltar a casa e aconselhou os seus melhores amigos a fazerem o mesmo, a lutarem contra os problemas, pelo que gostam e por tudo aquilo que é capaz de lhes fazer feliz.

No dia a seguir, António caminhava em direcção a casa e separava-se dos amigos que tinha feito naquela semana. Quando chegou às portas de casa, viu o seu pai a ser algemado. António olhou para a sua mãe e viu que ela já não chorava, mas sim, sorria como se fosse o romper do Sol no Inverno entre as nuvens mais negras ou do nevoeiro mais denso.

Podia-se dizer que o Inferno tinha acabado. Anos mais tarde, podia-se ver três homens com as suas mulheres, com uma casa, com filhos e a fazer o que mais gostavam de fazer. Tudo isto, porque tiveram coragem para acabar com as injustiças que a vida lhes tinha imposto, mais a um do que a outro.

Actualmente, António acabaria de escrever o seu novo conto:

“O rapaz do Conto de Natal”

Através do qual, ele conseguiria dinheiro mais que suficiente para criar uma instituição contra a pobreza, toxicodependência, alcoolismo, violência doméstica, entre outros problemas da vida.

sábado, 13 de novembro de 2010

O rapaz da Madrugada

Ele acordava todas madrugadas, à 1 da manhã. Era um rapaz pacato, inteligente, não muito bonito, nem muito feio. Era um rapaz normal em plena adolescência. Contudo, sentia-se especial, tanto pela sua maneira de pensar e, de ver certos pormenores da vida. Ele achava estranho, não conseguir encontrar aquilo que pretendia.
Como tal, saía sempre a essa hora de casa. Sem os seus pais notarem. Ele não ia para nenhuma discoteca, para nenhuma festa, e muito menos para algum encontro. Ia sim, vaguear de forma perdida pelo mundo a seu redor. Levava consigo o seu pequeno caderno, e sempre que encontrava um sítio interessante, pegava nesse mesmo caderno, e escrevia.
Não escrevia qualquer coisa, escrevia algo que marcasse aquele momento, e puxasse aquele sentimento a quem fosse ler. Depois de escrever, arrancava a folha do caderno, e punha essa folha debaixo de uma pedra, para esta não voar. E lá ia ele mais uma vez, caminhar pela noite fora. E dali a uma hora, ele ia-se embora.
A noite tinha efeitos mágicos sobre ele, tornava-o calmo e ao mesmo tempo forte, com confiança nas suas capacidades, conseguia fugir aos problemas. Apesar de ter noção, que mais tarde ou mais cedo, terá que enfrentar todos esses problemas, e superá-los. Mesmo sabendo, que teria quebras de consciência, racionalidade, e que poderia não voltar a ser o mesmo. Ele ia tentar.
Encontrou outro lugar, este era na margem de um rio. Onde não se ouvia o mais pequeno barulho, a não ser o das pequenas ondas que batiam ao de leve no paredão. Antes de se ir embora, decidiu escrever um pequeno texto de amor:
Olho para estas ondas a baterem devagar, e nelas vejo o teu rosto disforme. Trouxe-me lembranças da nossa vida passada, eu sinto-me indiferente em relação a ti. Mas sempre a pensar no que passei contigo, e no que eu senti. Agora nestas noites, procuro estar sozinho, procuro escrever e dar vida às palavras que se emergem do meu coração, que bate devagar… muito devagar.
Mais lento que estas ondas, mas sem cessar. Porque quando me levanto de dia, e vejo aquele sol, que não já não me aquece e nem me arrefece, sei realmente o que procuro. Procuro o amor que já tive em dias, procuro alguém capaz de passar a minha barreira, e apertar-me o coração para que este volte a bater a todo o vapor. É verdade que é difícil de encontrar alguém assim, porque hoje em dia, maior parte das pessoas ama-se por interesses sem cabimento. Isto já não é o que era.
Mas não desisto… porque amar-te-ei uma vez, amar-te-ei uma segunda vez, mas não te irei amar da mesma forma outra vez, e nunca perdoarei à terceira vez. É o amor que um verdadeiro romancista, uma pessoa que sabe a veracidade e o poder que este sentimento é capaz de provocar, e de mudar tudo…
Mais uma vez rasgou essa folha do seu caderno. O rio estava parado, já não se via aquelas ondas. E quando deu por si, estava a contemplar um dos mais bonitos rostos, que alguma vez tinha visto na sua vida. Levantou-se e virou-se devagar, e da mesma forma, fixou o seu olhar no da rapariga. Com quem comunicava algum tempo através das folhas que por ali deixava.
Muitos na altura pensaram que era um encontro, mas não, não era. Foi no procurar de uma noite, de uma vida sem destino, que duas pessoas se conheceram melhor, e se apaixonaram. Capazes de se amar, e de serem felizes. Nem que fosse uma vez só, dentro de mil e uma vezes.
Anos mais tardes, e sempre à mesma hora. Já não se via o rapaz da madrugada, mas sim, um casal apaixonado a escrever os seus textos, para o livro das suas vidas, e das nossas vidas.

domingo, 31 de outubro de 2010

Estou a tentar escrever o que sinto, ou mais vale dizer, o que não sinto?

Deitei-me esta tarde no chão, e comecei a sentir o frio a entrar pela pele do meu corpo. Apoderou-se de mim, parou a minha circulação. E por breves instantes encontrei-me noutro espaço. Já não estava cá, tinha passado para o outro lado.

Pude ver o meu corpo, deitado e pálido no chão. Pude ver que o meu coração realmente estava parado, até podia dizer congelado. Como se estivesse à espera que alguém acendesse uma fogueira dentro dele.

Não sei o que terá passado, mas senti um choque que percorreu o meu corpo. E simplesmente acordei, olhei para o tecto, e devagar deixei-me cair no chão. Não entrei no mesmo mundo, procurei dentro da minha cabeça, vasculhei todos os cantos à procura de razões. Razões que pudessem explicar o facto de o meu coração estar sem gás, sem vida. Congelado.

Porque talvez a única razão que existia, era aquela. Estar à espera de alguém capaz de acender uma fogueira, para aquecer e reviver o meu corpo. Dar-lhe força, dar-lhe motivos para lutar e de sobreviver perante as dificuldades. Quero voltar a sentir essa energia infinita que é o amor, que apesar de ir e voltar, é capaz de quebrar mundos de dores e de infelicidade.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Todo o pouco será muito...

Sinto-me cansado de lutar e cair, voltar a lutar e cair, e cair outra vez. Encontro-me longe da força que possa voltar outra vez, e mais uma vez na vida, estou tão perto da dor e do fracasso.

Talvez um dia possa mudar definitivamente, talvez um dia possa encontrar paz na minha cabeça e no meu mundo, talvez um dia possa ter tudo como nunca nada tive.

Hoje digo que não quero correr com a vida, porque a partir de hoje andarei a passos lentos e precipitados. Sei agora que eu não tenho tanta resistência para aguentar tantos problemas ao mesmo tempo.

Aguentarei aos poucos e ao fim de certo tempo, todo o pouco será muito.

sábado, 18 de setembro de 2010

Esta doença, estas questões virais, e no fim um silenciar...

Sinto que estou a ficar doente, sinto-me a caminhar em direcção à demência. Estas dores de cabeça são enormes, questões virais que se multiplicam na minha mente. Que doença!

Dêem-me todos analgésicos que existirem, só quero que a dor pare, simplesmente não quero sofrer mais. Farto deste destino! Ter que aguentar isto todos dias, de sempre ter pouco ou nada ter.

Alguém me injecte a cura para esta doença, estou farto de lutar e de não sair do mesmo patamar. Quero eliminar a minha consciência e imortalizar o meu subconsciente, onde ninguém consegue chegar.

Nem mesmo esta doença, que acabará no fim de contas, por me silenciar …

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Lençóis

Deixei-me cair na cama, depois de um dia cansativo e ao mesmo tempo secante. Pus-me a ouvir música, debaixo dos lençóis da minha cama. Adormeci, enquanto a música continuava a tocar. Perdi a consciência para outro mundo, tão distante deste.

Mesmo não sabendo para onde quer que tenha ido. Voltei com lágrimas no canto dos olhos, e senti-me estranho no meu próprio mundo. A música tinha acabado. E eu sentia-me inocente, sentia um calor diferente, sentia que já dera a mágoa por perdida.

Estava nu, enrolei os lençóis em mim e fui em direcção à varanda. Ver a luz do nascer do Sol. E foi ai que senti, alguém me abraçar por detrás. Era esse calor, que eu sentia a percorrer pelo meu corpo. Toda dor, tinha ido dar uma volta.

Agora era eu e tu enrolados nos meus lençóis, e esta linda luz deste nosso Sol.

sábado, 3 de julho de 2010

Cama de Rosas

Quero-me deitar contigo numa cama de rosas, enquanto te beijo e dispo-te lentamente. O aroma destas rosas purifica todo o sentido do nosso ser. Oh! Se eu não podia desejar todo este momento. Oferecer-te todo pedaço de mim, todo meu sentimento, em forma de prazer.

Deita-te comigo, nesta minha cama de rosas, onde não existem trocas e baldrocas. Porque é amor, o sentimento que me invocas. Deita-te e diz o que queres realmente de mim. Uma noite de magia, uma eternidade de fantasia, ou só mais um texto para contar uma nova filosofia.

Na minha cama de rosas te deitei e beijei…

domingo, 27 de junho de 2010

Tinta

Tinta que uso
Tinta criadora de vida
Tinta de uma ínfima arte
Que para sempre dura.

Tinta da minha caneta, do meu lápis ou do meu pincel
Quando tocas na tela ou neste meu papel,
Revelas o que existe de mais importante em mim
Arte, loucura, amor, ódio, dor.

Uso-te em função do meu desuso
Onde esta arte dá cor ao meu mundo obscuro,
Se um dia te largar de vez
É porque deixarei de existir neste mundo.

Até lá, vou gastando toda tinta
Que corre nas minhas veias,
Ao menos no fim
Saberei que dei vida a esta minha solidão.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Marioneta

Estes fios que me controlam, que me manipulam e levam-me ao desastre emocional. Levam a mover-me em direcção da guerra, da destruição. Vejo o que supostamente devia de estar escondido dos meus olhos, da bomba explosiva que é o meu coração. Vivo de forma imortal, para continuar a ver este mundo, onde tudo o que é amor ou amizade foge e desaparece.

Tantos anos vividos e maior parte deles perdidos, em parte nos meus sonhos vejo os meus futuros destinos partidos, por causa de estar aprisionado nesta minha mente psicadélica. Onde lutar não vale a pena, porque não existe ninguém capaz de cortar estes fios. São a minha ligação à imortalidade da minha solidão, onde não existe traição.

Marioneta, que está sob controlo e de coração despedaçado, com um corpo aparentemente envelhecido. Cara com cicatrizes profundas e olhos cegados de ódio. À procura de uma luz, de um abraço, de alguém capaz de carregar a sua dor, o seu ódio. Alguém capaz de lhe libertar daqueles fios, para sentir-se livre uma vez na vida e rejuvenescer para um dia saber o que é o verdadeiro sentido de viver...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A cair aos bocados

Corro corro, para fugir destas minuciosas emboscadas. Que procuram-me cansar, levar-me à fraqueza e à exaustão. Elevar-me ao expoente de desilusão, ter vergonha de envergar uma camisola dolorosa de paixão. Corro corro, para o meu esconderijo, para vós sou um mero fugitivo.

Doente e sem destino. Querem-me ver a cair aos bocados. Então vejam, a minha pele a rasgar-se, as minhas veias arrebentar. Para contemplar o que há-de tão perfeito por dentro. Caiu aos bocados por fora, para erguer-me por dentro.

Quando um dia, chegares ao fim da meta para chegares à perfeição. Hás-de ver que no fim dela, estou eu. Ensanguentado, a chorar de dor, com a carne viva à mostra. Diante dos teus olhos, verás que tal perfeição, só conquistada com dor e sofrimento.

Cairás aos bocados vezes sem conta, mas se por dentro te consegues erguer, então não tens nada a perder. Fujo Fujo, porque não tenho esconderijo para me esconder. É correr na estrada da Vida até morrer...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quente & Frio

Quente e Frio. Quente por fora, frio por dentro. Descongelo mundos inteiros à minha vida, demonstro felicidade enquanto a dor me desfaz o coração. Este calor que me faz suar de querer tanto e tanto perder. Este frio que me asfixia e me causa pneumonia.

Sou quente e frio. Quente por fora, mas tão frio por dentro. Gostava de poder aquecer o meu próprio coração, para reestruturar a minha imaginação. Um arrefecimento que acontece de forma tão espontânea, faz-me cair de forma intensa no chão.

Serei sempre quente e frio. Quente por fora, mas tão frio por dentro. As lágrimas evaporam-se à saída dos meus olhos. E o ódio que sinto, me acompanha, me reveste protege friamente e desgasta-me por dentro.

Se eu fosse...

Se eu fosse um mês seria... Agosto
Se eu fosse um dia da semana seria... Domingo
Se eu fosse um número seria... 8
Se eu fosse um planeta seria... Saturno
Se eu fosse uma direcção seria... Sul
Se eu fosse um móvel seria... Cama
Se eu fosse um líquido seria... Água
Se eu fosse um pecado seria... Amor
Se eu fosse uma árvore seria... Eucalipto
Se eu fosse uma fruta seria... Morango
Se eu fosse uma flor seria... Rosa
Se eu fosse um clima seria... Calor
Se eu fosse um instrumento musical seria... Guitarra
Se eu fosse um elemento seria... Fogo
Se eu fosse uma cor seria... Laranja
Se eu fosse um animal seria... Chita
Se eu fosse um som seria... O som da água
Se eu fosse um estilo de música seria... Rock
Se eu fosse um perfume seria... Tonino Lamborghini - Feroce
Se eu fosse um livro seria... O do Tio Patinhas
Se eu fosse lugar (cidade) seria... Bora-Bora
Se eu fosse um gosto seria... Doce
Se eu fosse uma palavra seria... Tristeza
Se eu fosse um verbo seria... Odiar
Se eu fosse um objecto seria... Espelho
Se eu fosse uma roupa seria... Boxers
Se eu fosse uma parte do corpo seria... Coração
Se eu fosse um desenho animado seria... Rafael (TMNT)
Se eu fosse uma forma seria... Esfera
Se eu fosse uma estação seria... Verão

...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mentiras

Estou cheio de mentiras. Mentiras tatuadas no meu corpo, onde as minhas verdades estão escondidas. Uma ferramenta, ao qual usam para o seu próprio prazer. Mentiras, entre as linhas da minha vida.

Viver na sombra de um mundo onde reina a escuridão, onde as trevas são sonhos ao invés de pesadelos, onde a mentira é um acto de inocência e o que vaguear no coração culminará na desilusão.

Porque quem me tem uma, nunca tem duas nem três…Sou um pedaço de mentira, nesta vida. Não passo e nem passarei de uma mentira, de uma mera ferramenta que se pode deitar fora.

sábado, 15 de maio de 2010

Festa Parte 2 – Palavras

Palavras que não passavam de 3 simples perguntas que me encantavam e me deixavam caído aos teus pés. És a loucura, a diversão em pessoa. Foi tudo isto que pensei e passei naquela altura e num momento tinhas descido a tua mão direita, até entre as minhas pernas. Não sabia como reagir a tal tentação, o meu corpo deixava-se levar, o meu mundo deixava de resistir às tuas preces.

Perguntavas, como é que eu conseguia embalar-te em tal “feeling”, como é que eu libertava em ti uma fera sem igual e como eu te deixava tão tentada e ao mesmo tempo tão molhada. Revirei-me sem medo e inspirei todo o ar que impedia os nossos lábios de se tocarem. Balancei a tua cara na minha direcção e enquanto te aproximavas lentamente, despistes-me. Desapertaste-me o cinto das calças de forma agressiva mas desabotoaste-me com calma esses botões pesados.

Simplesmente, tive que responder-te enquanto me seduzias. “Nunca fiz algo assim por uma rapariga até hoje, nunca agi de tal maneira e nunca tive a certeza de mim mesmo, só sei que tu me atraíste à distância, foi puro feitiço”. Não sabia mais que dizer, até que fechaste os meus lábios com os teus e selaste as minhas palavras que já não se ouviam, já não tinham sentido para aquele momento. E tu caminhavas para a possessão da tua vida. Já tinha fechado os olhos enquanto mexias onde não devias, eras o meu pecado, o meu fruto proibido.

Não falavas, porque depois de teres mexido um pouco, ficaste a contemplar uma ferramenta poderosa que Deus tinha dado ao homem e que toda a mulher queria ter, mas naquele momento era a ti que eu queria dar. Vias o quão grande era, imaginavas o que poderias fazer com tamanha ferramenta mas lá vestiste-me os boxers, abotoaste-me as calças e apertaste-me o cinto, foi tudo tão rápido. Já ias a fugir mas eu agarrei-te pelo braço e naquele instante fui eu que olhei nos teus olhos e foram eles que te fizeram aproximar de mim.

Eles disseram-te: “vem, vem para o pé de mim, encosta-te e sente-me dentro de ti”. Aproximaste-te lentamente, com outros olhos, agora eram mesmo olhares de possessão, atrevimento e de prazer futuro, mas o que fizeste foi chegar ao pé de mim e dizer: “vamos para o quarto lá de cima”. Essas palavras fizeram-me pecar, eu não queria mais nada, era ali, era aquele momento que não queria perder.

Lá fomos e lá chegámos. No meu subconsciente ainda via o que se passava no corredor, até parece que estivemos na casa de banho uns 3 minutos. Quando olhei para o relógio, já passava da meia-noite e meia. Mal fechámos a porta desse quarto, começámo-nos a fitar nos olhos caminhando em direcção à cama. Deitámo-nos e desenrolámos uma longa conversa.

Foi um diálogo de palavras e de perguntas atrás de perguntas em que eu só me questionava sobre o porquê de tamanho interrogatório. Não exagerei, foram perguntas à descoberta do meu ser como se ela quisesse navegar no meu mar de questões que serviam apenas para prevenir elucidações.

Até que…

Ódio e Medo

Sou guiado pelo ódio, o meu guia que leva-me a uma fonte de forças de outro mundo. Sou consumido pelo medo, que me leva a desesperar por um pecado, duro e errado. Através dos meus olhos, vejo fracassos e almas penadas de pessoas derrotadas.

Sei que vou a caminho do inferno, porque corre-me nas veias sangue de um imortal, onde o ódio e o medo, são os únicos caminhos a tomar no final. Porque em ambos existirá um abismo, em que quero mergulhar e me afogar.

Lágrimas que cairão, gotas de suor que escorrerão, sangue que será derramado, onde um destino é só e será sempre feito de pecados. Onde não existem caminhos traçados, mas sim caminhos, por onde serão caminhados, os meus pecados.

sábado, 8 de maio de 2010

Amizade, dura e perdura

Amizade no mundo existe, amizade que tenho. Tu duras e perduras, até mesmo quando fugimos para cometer loucuras. Prevaleces sem dizer uma palavra, sem dar uma gota de suor. Não és algo que se perde, mas que se batalha para ganhar.

Até nas profundezas do buraco mais negro do espaço, tu existes. És tu, quem apoia quem mais precisa, no momento mais difícil, num momento incredível. Estás lá, se Deus existir, então ele não criou o ser humano para ser perfeito à sua imagem, criou-te a ti. És tamanha perfeição, não cometes erros, não desesperas e sempre esperas.

Tamanha perfeição que dura anos a fio, mesmo existindo poucos que te fazem durar, estás lá nos seus corações, mesmo quando se tornam na pior das podridões, desilusões. Tu és a única coisa que não foge à lei da vida, mas és sim tu, que a finta como ninguém consegue.

Fazes viver como nunca ninguém viveu, tu fazes aquilo que mais ninguém limita-se a fazer, a pensar, a esperar. Pela oportunidade certa de entrar a matar e fazer com que aprendam com os erros. És tu que fazes chorar por um ombro amigo, por alguém sincero, por o amor, por um desejo de vida, por um simples sonho.

Nós todos, choramos contigo. Porque juntos, bem sabemos o que é lutar e aprender a fintar o significado de viver, de cabeça erguida, com pés no chão, olhando para a frente, sem olhar para o passado. Esse faz parte de nós, mas está para trás.

Os sonhos e objectivos estão à nossa frente e temos que os agarrar e por eles lutar. Tal como, tu fazes por mim e por nós. Vais-nos acompanhar até onde nós quisermos, se um dia te perderes, não te preocupes. Porque não serás esquecido, mas sim, sempre recordado, vezes e vezes sem conta.

Dedico este texto a todos meus amigos!

Obrigado a todos!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cicatrizes

Cicatrizes frescas, marcadas no meu rosto. Feitas em batalhas duras e longas. Marcam-me o passado, quebram-se diante do meu pecado. Cortes de espadas, de balas. Tudo um conjunto de fracassos. Atentados sobre mim, que só me desfiguraram o rosto.

Um dia entrepuseram entre a espada e parede, o meu peito. Queriam espetar lá no fundo do meu coração, uma espada que na sua ponta continha um veneno letal. Amor, era como se chamava. O meu peito era rijo como pedra, o meu sangue frio como o gelo. Por isso, todos até hoje fracassaram em matar-me, em destruir-me, em arruinar-me.

Deixaram marcas, cicatrizes no meu rosto, com o significado de que mais ninguém olharia para mim. A partir daí, fechei-me como se fosse um livro com cadeado, ou um diário, onde toda gente pode contar o seu dia-a-dia, sem ninguém poder dar uma olhadela. Mas não, um livro era o mais certo. Cheio de pó, quando é tirado da prateleira há imenso tempo, tem uma história imensa para contar.

Fechei-me então, para o mundo, para mim mesmo. Anos mais tarde, decidi sair cá para fora, olhar-me ao espelho. E vi que… As cicatrizes tinham-se ido embora, já não residiam na minha cara, mas sim, no meu coração. As pessoas poderiam voltar a olhar para mim, mas nunca mais as permiti que me magoassem o coração, que o esquartejassem, que o desfizessem.

Não, preferia ter um rosto desfeito ao mundo, feio diante de um espelho, do que não ter coração. As cicatrizes ainda se mantêm frescas, mesmo passados anos a fio, o meu coração ainda bate, não por muito, mas também, não por pouco tempo. Há-de bater, enquanto eu quiser, enquanto tiver que ser.

São cicatrizes como estas, que criam sentimentos de ódio, dor e sofrimento. Consigo controlar isto tudo, como se fosse tão simples. Não consigo controlar o amor. É inexplicável, é algo que nos magoa e que ao mesmo tempo nos faz feliz, mas é impossível de ser controlado. Sentimentos que marcam-me o passado, quebram-se diante do meu pecado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ultimo Suspiro…

Percorri uma estrada que nunca parecia ter um fim. Até que decidi tomar um atalho e encarregar-me do trabalho que tenho em carregar um mundo às costas. Esse mundo que eu imaginava, que eu criava, onde seria possível, sonhar por milagres, desejar sem fins.

Esse atalho, levou-me para um lugar que não tinha lugar nenhum para onde ir.
Esbarrei-me contra uma parede e tão depressa era de dia como tão depressa ficou de noite. O escuro deixou-me nas entranhas do mal, sem destino, sem ser um objecto relevante capaz de mudar a face da Terra mas sim o coração das pessoas.

Nesse preciso momento, que me lembrei de que quando me esbarrei naquele lugar que não tinha para onde ir. Tinha ouvido o som de um gatilho a ser puxado, ouvido o estrondo da arma. E sentido aquela bala, que se enterrou de forma tão profunda no meu peito, no meu coração. Uma simples bala fez de mim, um arremesso de vida.

Soltei lágrimas de dor, de tristeza, de fracasso. Soltei o meu último suspiro e deixei a vida para trás…

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Festa – Olhares

Fui convidado para uma festa de um menino rico. Era já um convite tardio mas ainda pensei duas vezes e acabei mesmo por aceitar. Eram 20 horas quando lá cheguei. Observei a mansão, desde do chão até ao tecto. Nunca tinha visto nada tão monstruoso e tão arquitectonicamente belo. Ganhei coragem e passei a gigantesca porta da mansão.

Quando entrei, vi logo um bando de rapazes a dançar com um de mulheres que qualquer homem poderia desejar. Nestas festas todos as podiam ter, simplesmente porque não passavam de umas putas. Entrei sozinho e enquanto todas olhavam-me de cima a baixo, com olhares de: hoje já és meu, olhares de quem tem uma fome meramente sexual, eu limitava-me a imaginar que tipo de doenças elas poderiam ter.

Sem preocupações, comecei a vasculhar a casa, explorando as casas de banho e os quartos, não só para que se algo mais picante acontecesse mas também por necessidade. Fui à cozinha, era gigantesca. Em cima das bancadas só se viam gajas a gemer, bêbedos sem consciência de onde se andavam a meter.

Segui em direcção à sala, todos dançavam ao ritmo da música que se fazia ouvir por toda a casa. Tudo aquilo que eu queria, naquele instante, era pura e simples diversão mas limitei-me a sentar num dos sofás, visto estar exausto devido à aula de educação física e ao ginásio. Por breves instantes fiquei a controlar tudo e todos.

De súbito o meu olhar recai sobre uma rapariga. Devia ter os seus 20 anos e, segundo o que me contaram, em todas festas, ela nunca cedeu a nenhum rapaz, limita-se a enfeitiça-los com a sua beleza e sensualidade estonteantes.

Senti uma força brutal, um chamamento incontrolável ao olhar para aquela rapariga… O seu olhar, que me prendia, fez com que o nervosismo se apoderasse de mim. Não conseguia desprender-me daqueles seus olhos, eram especiais e viciantes e só o facto de ela ser difícil, ou aparentar sê-lo, deixou-me ainda mais louco.

De súbito comecei a observar todos os detalhes do seu corpo, ou melhor, um corpão, mas que pelos vistos era um fruto proibido. A maneira como fazia ondular as curvas do seu corpo, fazia-me lembrar as ondas do mar, aquelas que me traziam tranquilidade e paz, descanso ao meu pensar e à minha alma.

Lá ganhei coragem, porque isto era algo novo, fresca esta tentação e fazia-me sentir um miúdo. Era da mesma idade que ela, e, pelo que sabia, tínhamos nascido no mesmo dia e ano e só tínhamos um objectivo, que era divertir e tirar o máximo proveito da vida.

Enquanto caminhava na sua direcção, umas putas prenderam-me pelos braços, encostaram-se a mim e uma delas passou o seu rabo com firmeza na minha cintura. Senti-me tentado. Mas não, enganaram-se, eu não era o tipo de homem que procuravam, nunca fui de facilidades e não ia ser agora que o seria. Largaram-me e desistiram, mas sabia que não iriam parar por ali.

O perfume que tinha posto antes de sair de casa fazia com que eu me tornasse ainda mais charmoso do que sou, sentia que com um olhar todas estariam aos meus pés, mas com ela isso não resultou. Fui ao seu encontro e quando estava quase a chegar ao pé dela, reviraram-me pelo ombro para dançar e, num espaço de segundos, ela já tinha partido.

Entretanto deu-me uma enorme vontade de ir à casa de banho e a minha sorte é que estava consciente dos meus actos. O corredor estava cheio de gajas a foder contra a parede, aposto que pensaram que se fosse qualquer um, todas elas já tinham marchado.

Relembrei-me dos momentos nos quais parei para contemplar aquela rapariga. Foi algo que nunca me tinha acontecido, isto é, de todas poucas que tinha comido, esta chamara-me à distância.

Entrei pela porta da casa de banho, urinei e lavei as mãos, decidi ainda lavar a cara, foi tudo questões de segundos. Mal abri os olhos e mirei o espelho, contemplei novamente esse seu olhar. Observava-a pelo seu reflexo, ela era como uma medusa, um simples e cortante olhar deixar-me-ia petrificado outra vez mas o reflexo salvava-me disso. Chegou à minha beira, pôs as mãos na minha cintura e sussurrou ao meu ouvido, palavras que só demonstravam o quanto inteligente ela era, a perícia que tinha e o lado selvagem que eu fiz libertar nela.

Bem-vindos ao "Murmure"

Este blog, pretende ser um blog de arte digital ou tradicional, de música e literatura. Depois desta curta apresentação do blog, faço a minha apresentação.

Chamo-me Filipe Graça, tenho 18 anos, feitos no dia 8 de Janeiro deste ano, estou a tirar o curso profissional de Técnico de Multimédia, no qual espero conseguir a vir a ter algum sucesso e tirar ainda mais sucesso depois de estar na faculdade daqui a 2 anos. Gosto de escrever, principalmente poemas, mas agora estou virado para uma escrita mais erótica e estou escrever uma pequena história, que anda-me a sair da cabeça por causa de uma rapariga que consegue-me tirar fora do juízo. Gosto de ouvir música, principalmente rock e de ser absorvido pela mesma e ir ao encontro do significado das suas letras. A arte digital para mim é um mundo à parte no qual eu estou inserido, não tenho tido tempo para praticar a mesma, mas espero que um dia, seja possível ao meu ser, ser um dos artistas deste mundo.

Sou fanático por actividades desportivas e tenho ou terei uma ambição de ser um militar neste país, para que se prevaleça a justiça entre tudo e todos.

Espero que desfrutem este meu novo blog, porque vou tentar fazer os possíveis, para o conseguir preencher. Já agora sou do Benfica e o jogo de hoje promete! Viva a Portugal !

Obrigado a todos .