domingo, 19 de dezembro de 2010

Garrafa de Vidro

Parei de escrever cartas, porque tu já não as lês. Então pensei em pôr tudo o que sinto numa só e numa garrafa de vidro, não uma carta que possas ler, mas sim que possas sentir, ver e poder seguir em frente.

Fui para a casa de banho e olhei para o espelho, estava com um olhar decidido do que ia fazer, uma loucura certa, mas não via nenhum medo em mim. Enrolei a minha mão direita numa toalha e parti o espelho, desfez-se em bocados e aos poucos ia caindo aos meus pés.

Então sentei-me no chão, dele vinha um frio intenso que me arrefecia todo e fiquei na dúvida se seria capaz de fazer o que queria fazer. Era um homem determinado e louco, tinha que levar aquela brilhante ideia para a frente. Abri a garrafa vazia, aproximei o meu pulso esquerdo do gargalo e cortei-o. Fiz escorrer, não o meu sangue, mas sim o que continha. Fiquei sem forças por breves instantes, aproximei o outro pulso e fiz o mesmo.

Dentro da garrafa, aquela que te ia oferecer, estava tudo de mais importante para ti e para nós, mas eu já não existia. Na garrafa estava uma tinta, que tinha vida, história e sentimento. Era com essa tinta que eu escrevia todas as cartas de amor, todas as cartas que diziam que tinha saudades tuas, todas cartas que pediam uma segunda oportunidade e todas as cartas que tive medo de te enviar.

Pois dentro desta garrafa, estava a nossa história de amor e sem nunca te ter dito nada, no fim dela, na última página eu escrevi:

“A ti que me fizeste imensamente feliz, deixo-te o meu legado, um dom perdido de amor, loucura e paixão.”

Agora podes viver, escrever e reescrever um novo capítulo da tua vida.

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