quinta-feira, 15 de março de 2012

Sonhador

Ah! Pressa de correr contra o relógio, contra o tempo, contando o mesmo sem qualquer percalço, como se o atraso fosse uma superfície plana, baça e escorregadia. Talvez conte os dias em que tenha chegado atrasado: um, dois, três, talvez mais dias, e assim dou por mim desempregado a andar num passeio firme da calçada, que sobe e desce sem grande relevância, avistando as montras de uma sociedade que há muito se perdeu. Perdeu-se rapidamente como um carro que fica sem combustível e não encontra paragem para abastecer, perdeu-se para uma realidade autodestrutiva em oposição ao seu sonho criativo.
Antes que me perca em terra desconhecida onde o poder, dinheiro, inveja e ganância afogam o ser Humano, vou eu boiar-me em memórias conhecidas por onde caminhei, vivi, senti e sonhei como Homem que nunca cresceu.
Que eu agora corra, corra, corra muito mas muito, mesmo muito e que nunca me canse de ser o pouco que sou e dos poucos que faço parte: Sonhador, onde o tempo não existe, onde não se cresce, onde vícios são controlados e a inocência é tal que a esperança de um Mundo melhor nunca nos foge!

terça-feira, 13 de março de 2012

Desengano

Sei que sou o perpétuo desengano da tua pessoa, de outra pessoa e de todas as outras que são favoritas ao meu lugar. O meu suor, o meu pensamento, o meu sentido nada te pedem que o mínimo, como outros pedem aos seus sem suar em tamanho quanto meu ou como a nova onde também corre teu sangue, o mesmo que o meu sangue e que tudo te pede, para onde tudo viaja, para o mundo que está e para o futuro que já tem, e eu, eu não posso sentir inveja.
Caminho ao frio com língua morta no desalento da noite, a desilusão que eu sou. 
Palavras mudas: não sei viver onde estou.