Sento-me ensonado, todos os dias de manhã nesta escadaria da escola, entre o rés-do-chão e o piso superior. Acordo cedo, muito cedo e só tenho vontade de fechar os olhos por poucos segundos, dormir o pouco que não dormi na noite ou noites anterior. É assim todos os dias.
Puxo o capuz para cima da cabeça, cobrindo quase toda a totalidade do rosto, só deixo os meus olhos cansados à vista de todos. Encosto-me à parede e deixo o meu corpo apodrecer entre o barulho dos passos gigantescos, das vozes ensurdecedoras que se fazem sentir nos meus ouvidos.
Os pequenos sons que consigo distinguir através da multidão, agarravam-se aos poucos à carne da minha consciência. Sons de beijos trocados entre parceiros, sons enigmáticos dos professores de matemática, sons das asas de um ser que voava, lá no pátio, para longe deste local. Sons da paixão, da inteligência e o timbre da liberdade que se repetia nas minhas memórias.
Sons! Sons de um outro eu, sons de um passado distante.
Acordo sobre a nota de um «Olá», de um «Não devias de estar aqui que já entrámos» de uma rapariga atraente, simpática e inteligente, que sorria na direcção dos meus olhos. Sons que ecoavam em todo o meu ser. Sons de mudança.
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