terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ementa

Se me perguntarem o que retiro da escrita, acho que só poderei responder uma nova aprendizagem, um novo olhar sobre o erro cometido ou sentimento mal usado. Apesar de ter a noção de que escrever é mais um despejar da nossa consciência e até mesmo da inconsciência numa panela, uma conjugação de sentimentos, instintos humanos, realismo e criatividade.
Então elaborei a seguinte ementa da minha pessoa e comparo-a ao cozido à portuguesa:
O português é o tempero, a água e a temperatura ideal para cozinhar. A carne de porco, vaca, as farinheiras, o chouriço preto, chouriço de sangue são o falso sabor delicioso, sabem bem no paladar e matam a fome mas fazem-nos mal à saúde e daí os horríveis instintos, a má fortuna nas afecções e a carência do Homem. Os vícios, a vida carnal.
Já as batatas cozidas, as cenouras alaranjadas, a magnífica couve são o verdadeiro sentimento, o sentido de criatividade, um lugar espiritual e um abrigo saudável da nossa pessoa, contudo também são aquilo que mais negamos. As virtudes, a realidade intelectual, abstracta e espiritual escondida na nossa inconsciência.
Por fim, escrever é mais que uma virtude e quiçá seja um defeito de quem compõe, e talvez seja esta a razão de existirem diferentes pratos a serem provados em restaurantes, e outros reservam-se a receitas caseiras. De tudo um pouco, é assim a minha ementa de escrever.

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