Cinzentos, frios, mortos, meio cegos, frágeis meras esferas de papel por onde já não escorre tinta e as palavras que se podem ler nelas, vivem dias de solidão! Até parece pecado existir um Ser amaldiçoado. Agora, só existe a Lua sobre o horizonte que se encolhe sobre o mar, tristeza.
O que o Mundo era, o que o Mundo se tornou e eu pouco posso ver o futuro deste, levanto-me da fria areia, tiro a roupa e caminho até à água glacial, nunca senti tanto frio em toda a minha vida, nu contínuo e não desisto em querer morrer com ele.
Durante a minha vida tive a sorte de correr todo o Mundo, conhecer locais que ninguém imagina, mas não conheci nenhum lugar nele como este, é frio, é pálido, a luz só dura metade do ano, tal como a minha força e a outra metade é um descanso.
Sinto-o a parar aos poucos enquanto entro na água, não paro e nado até não ter pé… Penso que aqui deve chegar, olho para cima, vejo a vida a passar diante das minhas esferas de papel, e sinto aquele cheiro da maldição que me pregaram, da podre imortalidade que já há muito parou o meu coração.
Só não parou os cinzentos, frios, mortos, meio cegos olhos, lembranças, memórias de uma vida amaldiçoada sem perdão a viver num Mundo há muito extinto. Amanhã é a outra metade do ano em que vou voltar a viver outra vez, porque tenho força, calor, luz e até tinta para voltar a escrever, vou vestir-me e partir para outro lado.
Viver é um dia de cada vez, amaldiçoado ou não, só se vive uma vez.
"Viver é um dia de cada vez, amaldiçoado ou não só se vive uma vez."
ResponderEliminarADOREI!
Mais uma vez, uma grande mensagem e descrita de uma magnifica forma...
Beijinhos *
:)
Está muito lindo e realista :D
ResponderEliminarParabéns!
Está lindo mano... Adorei a ultima frase. Continua :)
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