Dou comigo horas a fio a pensar em escrever algo, enquanto me surgem frases aleatórias na minha cabeça, enviadas de não sei de onde, por não sei quem, que chegam aqui e dão-me uma ideia clara do que quero escrever. Às vezes penso que sou mentalmente doente, porque não consigo obter um equilíbrio claro entre a emoção e a razão, há dias que tenho que ser mais lógico e noutros mais emotivo, mas não há um sem o outro. Tenho que ser muito de um e pouco de outro, vice-versa.
Gostava de conseguir um equilíbrio entre ambos. Como não consigo, encontro-me assim sem saber o que escrever ao certo, apesar de estar claro na minha cabeça, mas que vou escrever, vou sem mínima dúvida. Agora sobre o quê e porquê? Não sei bem. Mas vou parar para pensar em algo que seja delicado e tenha uma amargura louca de um certo sentimento. [21:52]
Sou um louco que perpétua nas masmorras das suas memórias, preso por algemas que me seguram as mãos e os pés à parede. Estou preso e daqui não consigo sair. Deixaram aqui umas cobras, umas aranhas, uns escorpiões para me envenenarem o corpo, a alma, o coração.
Já aqui estou há cerca de dezoito mil anos, onde não vejo a luz do dia, onde só vejo sombras do passado e por causa delas, sofro na pele por tudo o que lutei e trabalhei. Sou um fraco e um demente, que já não sabe dar sentido à ignorância de um mundo que já não oiço, que já não vejo. Mas que ainda me ouve.
Ouvem-me tanto, mas tanto que até aposto que estão fartos de me ouvir. Os meus gemidos de dor, os meus gritos de insanidade, os meus choros por causa de tal tortura. Mas ainda vivo e perguntam como é possível. Nem eu sabia, mas bem…
Isto era eu. Agora quem eu sou? Morri três mil anos depois e de que isso me valeu? Nada, mas ao Mundo, oh ao Mundo! Valeu-lhes de tudo. Valeu-lhes não ouvir com os ouvidos, não a ver com os olhos, não a falar com os lábios, com a língua, não a sentir com as mãos ou com os membros do corpo. A minha morte valeu-lhes uma compreensão sobre o que não se vê, o que não se ouve, não se fala e não se sente com as mãos, com os pés. Somente com o coração.
Hoje sinto-me livre, mas continuo um louco. Louco por me darem razão, por me darem emoção, por me darem uma oportunidade de viver a vida, por me mostrarem um mundo e os seus mais diferentes mundos e formas de viver. Louco, mas tão louco para procurar uma felicidade que está tão fora do meu alcance, tão como certos cometas que passam de cem em cem anos ou de mil em mil anos.
Quando talvez a tiver na mão, uma possibilidade em mil. Vou libertar para outra pessoa ser feliz, porque sou louco, mas não sou invejoso.
Se não houvessem loucos, este mundo não tinha sido "inventado" !
ResponderEliminarSer louco, por vezes, é saber viver o que os ditos "normais" não sabem ♥
Gostei buéréreré do texto *.* ♥
adorei o texto. parabéns.
ResponderEliminarcontinua..
abraço *